Trajetória de Adolescentes em Conflito com a Lei Após Cumprimento de Medida Socioeducativa em Meio Fechado

  • Fernanda Ludke Nardi Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Débora Dalbosco Dell'Aglio Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Palavras-chave: Adolescente em conflito com a lei, Autoestima, Drogas.

Resumo

Esta pesquisa investigou trajetórias de adolescentes após cumprimento de medida socioeducativa de internação, através de estudo quantitativo e longitudinal. Participaram 143 adolescentes em conflito com a lei com idades entre 14 e 20 anos. Foi aplicada uma ficha de dados sociodemográficos e um questionário sobre fatores de risco e de proteção, além da realização de contatos telefônicos por um período de dois anos e meio. Os participantes foram divididos em quatro grupos: G1: reincidentes (n=22), G2: reinseridos socialmente (n=24), G3: manutenção da situação (n=38) e G4: outras situações (n=59). Os resultados indicaram que as variáveis contextuais não apresentaram associação com o tipo de trajetória. Quanto às variáveis pessoais, observou-se diferenças significativas, sendo que G2 apresentou níveis mais elevados em relação à autoestima enquanto G1 apresentou níveis mais altos de uso de drogas. Portanto, propostas de intervenção junto a essa população devem considerar tanto variáveis contextuais como variáveis pessoais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Abrams, L. S. & Snyder, S. M. (2010). Youth offender reentry: Models for intervention and directions for future inquiry. Children and Youth Services Review, 32, 1787-1795. doi: 10.1016/j.childyouth.2010.07.023

Agnew, R. & White, H. R. (1992). An empirical test of general strain theory. Criminology, 30(4), 475-500. doi: 10.1111/j.1745-9125.1992.tb01113.x

Agnew, R. (2001). Building on the foundation of general strain theory: Specifying the types of strain most likely to lead to crime and delinquency. Journal of Research in Crime and Delinquency, 38(4), 319-361. doi: 10.1177/0022427801038004001

ANCED, Fórum DCA. (2004). Relatório sobre a situação dos direitos da criança e do adolescente no Brasil. Fortaleza, Brasil.

Apel, R. & Burrow, J. D. (2011). Adolescent victimization and violent self-help. Youth Violence and Juvenile Justice, 9(2), 112-133. doi: 10.1177/1541204010376939

Assis, S. G., Avanci, J. Q., Pesce, R. P., & Ximenes, L. F. (2009). Situação de crianças e adolescentes brasileiros em relação à saúde mental e à violência. Ciência & Saúde Coletiva, 14(2), 349-361. doi: 10.1590/S1413-81232009000200005

Assis, S. G. & Souza, E. R. (1999). Criando Caim e Abel – Pensando a prevenção da infração juvenil. Ciência e Saúde Coletiva, 4(1), 131-144.

Collins, R. E. (2004). Onset and desistance in criminal careers: Neurobiology and the age–crime relationship. Journal of Offender Rehabilitation, 39, 1-19. doi: 10.1300/J076v39n03_01

Dell’Aglio, D. D., Koller, S. H., Cerqueira-Santos, E., & Colaço, V. F. R. (2011). Revisando o Questionário da Juventude Brasileira: Uma nova proposta. In D. D. Dell’Aglio & S. H. Koller (Eds.). Adolescência e Juventude: vulnerabilidade e contextos de proteção (pp. 259-270).

São Paulo: Casa do Psicólogo.

Domburgh, L. V., Loeber, R., Bezemer, D., Stallings, R., & Stouthamer-Loeber, M. (2009). Childhood predictors of desistance and level of persistence in offending in early onset offenders. Journal of Abnormal Child Psychology, 37, 967-980. doi:10.1007/s10802-009-9329-x

Donnellan, M., Trzesniewski, K., Robins, R., Moffitt, T., & Caspi, A. (2005). Low self-esteem is related to aggression, antisocial behavior, and delinquency. Psychological Science, 16(4), 328-335. doi: 10.1111/j.0956-7976.2005.01535

Formiga, N. S., Aguiar, M., & Omar, A. (2008). Busca de sensação e condutas anti-sociais e delitivas em jovens. Psicologia Ciência e Profissão, 28(4), 668-681.

Fowler, P. P., Tompsett, C. J., Braciszewski, J. M., Jacques-Tiura, A. J., & Baltes, B. (2009). Community violence: A meta-analysis on the effect of exposure and mental health outcomes of children and adolescent. Development and Psychopathology, 21, 227-259. doi: 10.1017/S0954579409000145

Gallo, A. & Williams, L. C. A. (2008). A escola como fator de proteção à conduta infracional de adolescentes. Cadernos de Pesquisa, 38(133), 41-59.

Günther, I. A. & Günther, H. (1998). Brasílias pobres, Brasílias ricas: perspectivas de futuro entre adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, 11, 191-207. doi: 10.1590/S0102-79721998000200003

Hein, A. (2004). Factores de riesgo y delincuencia juvenil: Revisión de la literatura nacional e internacional. Fundación Paz e Ciudadana. Retrieved in Sept 04, 2010, from http://www.pazciudadana.cl/docs/pub_20090623190509.pdf

Higgins, G. E., Jennings, W. G., Marcumc, C. D., Ricketts, M. L., & Mahoney, M. (2011). Developmental trajectories of nonsocial reinforcement and offending in adolescence and young adulthood: An exploratory study of an understudied part of social learning theory. Journal of Criminal Justice, 39, 60-66. doi: 10.1016/j.jcrimjus.2010.10.005

Horney, J. D., Osgood, D. W., & Marshall, I. H. (1995). Criminal careers in the short-term: Intraindividual variability in crime and its relation to local life circumstances. American Sociological Review, 60(5), 655-673.

Hutz, C. S. & Zanon, C. (2011). Revisão da adaptação, validação e normatização da escala de autoestima de Rosenberg. Avaliação Psicológica, 10(1), 41-49.

Iselin, A.M.R., Mulvey, E. P., Loughran, T. A., Chung, H. L., & Schubert, C. A. (2012). A longitudinal examination of serious adolescent offenders’ perceptions of chances for success and engagement in behaviors accomplishing goals. Journal of Abnormal

Child Psychology, 40, 237-249. doi: 10.1007/s10802-011-9561-z

Kesller, F., Diemen, L., Seganfredo, A. C., Brandão, I., Saibro, P., Scheidt, B., Grillo, R., & Ramos, S. (2003). A dinâmica do adolescente envolvido com drogas. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, 25(SUPL I), 33-41.

Kirkcaldy, B. D., Siefen, G., Surall, D., & Bischoff, R. J. (2004). Predictors of drug and alcohol abuse among children and adolescents. Personality and Individual Differences, 36, 247-265. doi: 10.1016/S0191-8869(03)00082-5

Lee, Z., Klaver, J. R., Hart, S. D., Moretti, M. M., & Douglas, K. S. (2009). Short-term stability of psychopathic traits in adolescent offenders. Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology, 38(5), 595-605. doi: 10.1080/15374410903103536

Maldonado-Molina, M. M., Piquero, A. R., Jennings, W. G., Bird, H., & Canino, G. (2009). Trajectories of delinquency among Puerto Rican children and adolescents at two sites. Journal of Research in Crime and Delinquency, 46, 144-182. doi: 10.1177/0022427808330866

Mason, W.A. & Windle, M. (2002). Reciprocal relations between adolescent substance use and delinquency: a longitudinal latent variable analysis. Journal of Abnormal Psychology, 111, 63-76. doi: 10.1037/0021-843X.111.1.63

Mennis, J. & Harris, P. (2011). Contagion and repeat offending among urban juvenile delinquents. Journal of Adolescence, 34, 951-963. doi: 10.1016/j.adolescence.2010.12.001

Moffitt, T. E. (1993). Adolescence-limited and life-course-persistent antisocial behavior: A developmental taxonomy. Psychological Review, 100(4), 674-701.

Moffitt, T. E. (2006). A review of research on the taxonomy of life-course persistent versus adolescence-limited antisocial behavior. In F. T. Cullen, J. P. Wright, & K. R. Blevins (Eds.). Taking stock: The status of criminological theory – Advances in criminological theory (pp. 277-311). New Brunswick, New Jersey: Transaction Publishers.

Nijhof, K. S., Vermulst, A., Scholte, R. H. J., Dam, C. V., Veerman, J. W., & Engels, R. C. M. E. (2011). Psychopathic traits of Dutch adolescents in residential care: Identifying subgroups. Journal of Abnormal Child Psychology, 39, 59-70. doi: 10.1007/s10802-010-9445-7.

Pacheco, J., Alvarenga, P., Reppold, C., Piccinini, C. A., & Hutz, C. S. (2005). Estabilidade do comportamento anti-social na transição da infância para a adolescência: Uma perspectiva desenvolvimentista. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18(1), 55-61. doi: 10.1590/S0102-79722005000100008

Park, N. S., Lee, B. S., Sun, F., Vazsonyi, A. T., & Bolland, J. M. (2010). Pathways and predictors of antisocial behaviors in African American adolescents from poor neighborhoods. Children and Youth Services Review, 32(3), 409-415. doi: 10.1016/j.childyouth.2009.10.012

Paton, J., Crouch, W., & Camic, P. (2009). Young offenders’ experiences of traumatic life events: A qualitative investigation. Clinical Child Psychology Psychiatry, 14(1), 43-62. doi: 10.1177/1359104508100135

Pereira, S. E. F. N. & Sudbrack, M. F. O. (2008). Drogadição e atos infracionais na voz do adolescente em conflito com a lei. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 24(2), 151-159. doi: 10.1590/S0102-37722008000200004

Rosenberg, M. (1989). Society and the adolescent self-image. Princeton, NJ: Princeton University Press.

Sampson, R. J. & Laub, J. H. (2003). Life-course desisters: Trajectories of crime among delinquent boys followed to age 70. Criminology, 41(3), 555-592. doi: 10.1111/j.1745-9125.2003.tb00997.x

Silva, D. F. M. (2002). O desenvolvimento das trajetórias do comportamento delinqüente em adolescentes infratores. Unpublished doctoral dissertation. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Trzesniewski, K., Donnellan, M., & Robins, R. (2003). Stability of self-esteem across the life span. Journal of Personality and Social Psychology, 84(1), 205-220. doi: 10.1037/0022-3514.84.1.205

Wainer, F. W. (2006). Prevención social del delito: Pautas para una intervención temprana en niños y jóvenes. Fundación Hanns Seidel Stiftung & Fundación Paz e Ciudadana. Retrieved in Aug 28, 2010, from http://www.pazciudadana.cl/docs/pub_20090618132605.pdf

Waiselfisz, J. J. (2013). Mapa da violência – homicídios e juventude no Brasil. Brasília: Secretaria Geral da Presidência da República.

Warr, M. (1998). Life-course transitions and desistance from crime. Criminology, 36(2), 183-216. doi: 10.1111/j.1745-9125.1998.tb01246.x

Zapata, F. B. (2010). Internação: Medida socioeducativa? Reflexões sobre a socioeducação associada à privação de liberdade. Revista da Defensoria Pública: Direito da Criança e do Adolescente, (ed. esp.), 43-50. Retrieved in Sept 10, 2012, from http://www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/repositorio/0/Edepe_Revista.pdf

Zappe, J. G. & Dias, A. C. G. (2012). Adolescência, violência e uso de drogas: Um estudo de casos múltiplos. Adolescência & Saúde, 9(2), 30-36.

Publicado
2014-12-23
Como Citar
Nardi, F. L., & Dell’Aglio, D. D. (2014). Trajetória de Adolescentes em Conflito com a Lei Após Cumprimento de Medida Socioeducativa em Meio Fechado. Psico, 45(4), 541-550. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2014.4.12978
Seção
Artigos