Queridas, mas nem tanto: a representação da travestilidade em Queridos Amigos

  • Leandro Colling Universidade Federal da Bahia
  • Tess Chamusca Pirajá Universidade Federal da Bahia
Palavras-chave: Representação, travestilidades, teoria queer

Resumo

A atual predominância de gays, lésbicas e trans discretas e respeitáveis na ficção televisiva produzida pela Rede Globo significa um avanço para as representações midiáticas de sexualidades dissidentes? Neste trabalho, propomos uma discussão sobre tal temática a partir da investigação da minissérie Queridos amigos (2008), exibida pela TV Globo entre fevereiro e março de 2008. Em destaque, através da análise de normas de gênero e sexualidade evocadas na obra, problematizamos a representação de duas personagens travestis. Para tal, nos baseamos em uma concepção pós-estruturalista de representação e na teoria Queer.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Leandro Colling, Universidade Federal da Bahia
Professor no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia.
Tess Chamusca Pirajá, Universidade Federal da Bahia
Mestranda no Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia.

Referências

BENEDETTI, Marcos. Toda feita. O corpo e o gênero das travestis. Rio de Janeiro: Garamond, 2005.

BENTO, Berenice. O que é transexualidade. São Paulo: Brasiliense, 2008.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

______. Corpos que pesam: sobre os limites discursivos do “sexo”. In: LOURO, Guacira Lopes (org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.

COLLING, Leandro. A heteronormatividade nas representações de personagens não-heterossexuais nas

telenovelas da Rede Globo (1998 a 2008). In: XIX Congreso Anual de la AILCFH, 2009, Quito. Anais do XIX Congreso Anual de la Asociación Internacional de Literatura y Cultura Feminina Hispánica. Quito: FLACSO, 2009.

______. Aquenda a metodologia! Uma proposta a partir da análise de Avental todo sujo de ovo. Bagoas: estudos gays – gêneros e sexualidades, Natal, v. 2, n. 2, p. 153-170, 2008.

______. Personagens homossexuais nas telenovelas da Rede Globo: criminosos, afetados e heterossexualizados. Revista Gênero, Niterói, v. 8, p. 207-221, 2007.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. 9. ed. São Paulo: Ática, 2006.

GROSS, Larry. Up from invisibility: lesbians, gay men, and the media in America. New York: Columbia University Press, 2001.

HALL, Stuart. The work of representation. In: HALL, Stuart. Representation: Cultural Representations and Signifying Practices. London: Sage Publications, 1997.

LIMA, Marcus Eugênio Oliveira. Essencialismo, racismo e infra-humanização. Cadernos UFS Psicologia, Aracaju, v. VIII, p. 45-56, 2006.

LOPES, Denílson. Desafios dos estudos gays, lésbicos e transgêneros. Revista Comunicação, Mídia e Consumo,

São Paulo, v. 1, n. 1, p. 63-73, 2004.

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. Telenovela brasileira: uma narrativa sobre a nação. Revista Comunicação & Educação, São Paulo, v. 9, n. 26, p. 17-34, 2003.

MARTÍN-BARBERO, Jesus. O medo da mídia: política, televisão e novos modos de representação. In: DOWBOR, Ladislau, et al. (Org.). Desafios da comunicação. Petrópolis: Vozes, 2000.

MATTELART, Michele e Armand. O carnaval das imagens– a ficção na TV. São Paulo: Brasiliense, 1989.

MISKOLCI, Richard. A Teoria Queer e a Questão das Diferenças: por uma analítica da normalização. In:

XVI Congresso de Leitura do Brasil, 2007, Campinas. Anais Eletrônicos do XVI Congresso de Leitura do Brasil. Campinas: UNICAMP, 2007. Disponível em: http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais16/prog_pdf/prog03_01.pdf Acesso em: 12 jan. 2011.

MOITA LOPES, Luiz Paulo. Discursos sobre gays em uma sala de aula no Rio de Janeiro: é possível queer os contextos de letramento escolar? In: VIII Conlab, 2004, Coimbra. Anais Eletrônicos do VIII Congresso Luso-AfroBrasileiro de Ciências Sociais. Coimbra: UC, 2004. Disponível em: http://www.ces.uc.pt/lab2004/inscricao/pdfs/painel3/LuizLopes.pdf Acesso em: 12 jan. 2011.

MORENO, Antonio. A personagem homossexual no cinema brasileiro. Niterói: EdUFF, 2002.

MOTTER, Maria Lourdes; MUNGIOLI, Maria Cristina Palma. Gênero teledramatúrgico: entre a imposição e a criatividade. Revista USP, São Paulo, n. 76, p. 157-166, 2007/2008.

PAIVA, Cláudio Cardoso de. As minisséries brasileiras: irradiações da latinidade na cultura global. Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação – BOCC, Portugal, v. 1, p. 1-10, 2007. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/paiva-claudio-minisseries-brasileiras.pdf Acesso em: 12 jan. 2011.

PAIXÃO, Sara. Odilon Esteves e Ricardo Monastero vivem travestis em nova minissérie. O Dia Online, 15 fev. 2008. Disponível em: http://odia.terra.com.br/cultura/htm/odilon_esteves_e_ricardo_monastero_vivem_travestis_em_nova_minisserie_151170.asp Acesso em: 15 fev. 2011.

PALLOTTINI, Renata. Dramaturgia de televisão. São Paulo: Moderna, 1998.

PERET, Luiz Eduardo Neves. Do armário à tela global: a representação social da homossexualidade na telenovela

brasileira. 2005. 245f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Faculdade de Comunicação Social, UERJ,

Rio de Janeiro, 2005.

PELÚCIO, Larissa. Nos nervos, na carne, na pele: uma etnografia travesti sobre o modelo preventivo de aids.

312 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Centro de Educação e Ciências Humanas, UFSCar, São Carlos, 2007.

______. Três casamentos e algumas reflexões: notas sobre conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 14, n. 2, p. 522-534, 2006.

PELÚCIO, Larissa. Travestis, a (re)construção do feminino: gênero, corpo e sexualidade em um espaço ambíguo. Revista ANTHROPOLÓGICAS, Recife, v. 15, n. 1, p. 123-154, 2004.

PRINS, Baukje; MEIJER, Irene Costera. Como os corpos se tornam matéria: entrevista com Judith Butler. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 155-167, jan. 2002.

RABINOW, Paul. Representações são fatos sociais: modernidade e pós-modernidade na antropologia. In: RABINOW, Paul. Antropologia da razão. Rio de Janeiro: Relume Dumará, p. 71-107, 1999.

SILVA, Hélio. Travestis: entre o espelho e a rua. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.

SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença. A perspectiva dos Estudos Culturais. 7. ed. Petrópolis: Vozes, p. 73-102, 2007.

SOARES, Murilo César. Representações da cultura mediática: para a crítica de um conceito primordial. In: XVI Compós, 2007, Curitiba. Anais do XVI Encontro Anual da Compós. Curitiba: UTP, p. 01-13, 2007.

TREVISAN, João Silvério. Devassos no paraíso. A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade. 7. ed.

Rio de Janeiro: Record, 2007.

Como Citar
Colling, L., & Pirajá, T. C. (2011). Queridas, mas nem tanto: a representação da travestilidade em Queridos Amigos. Revista FAMECOS, 18(2), 507-528. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2011.2.9472