Tecnologias, memória e esquecimento: da modernidade à contemporaneidade

  • Maria Cristina Franco Ferraz Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: Novas tecnologias, imagem, tempo

Resumo

A fim de melhor dimensionarmos as relações entre novas tecnologias, memória e esquecimento, partimos de uma retomada das recentes teses de Jonathan Crary a respeito do processo de modernização da percepção ao longo do século XIX. Tal recuo oferece uma dupla vantagem: a de rediscutir certos traços em geral atribuídos à “pós-modernidade” e à cibercultura, além de fornecer interessante contraponto para a tematização da problemática contemporânea da temporalidade, da memória e do esquecimento, em sua vinculação com as novas tecnologias informacionais. A partir desse contraponto, avançamos certas hipóteses e levantamos questões acerca da concepção de memória própria à cultura contemporânea, ligada à computação e à Internet - diversa daquela proposta por Bergson no final do século XIX - e exploramos algumas de suas conseqüências.

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Biografia do Autor

Maria Cristina Franco Ferraz, Universidade Federal Fluminense
Graduada em Letras (Potuguês/Literatura) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1976), graduada em Didática Especial de Língua Inglesa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1977), mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1982), mestre em Filosofia D E A - Universite de Paris I (Pantheon-Sorbonne, 1986), doutora em Filosofia - Universite de Paris I (Pantheon-Sorbonne, 1992), com pós-doutorados no Instituto Max-Planck de História da Ciência (Berlim, 2004) e no Centro de Pesquisa em Literatura e Cultura de Berlim (2007 e 2010). Desde 1994 é Professora Titular de Teoria da Comunicação da Universidade Federal Fluminense. 

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Publicado
2008-04-13
Como Citar
Franco Ferraz, M. C. (2008). Tecnologias, memória e esquecimento: da modernidade à contemporaneidade. Revista FAMECOS, 12(27), 49-57. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2005.27.3322
Seção
Tecnologias na Contemporaneidade