As narrativas portuguesas sobre naufrágios e o texto do jornalismo literário

  • Juan de Moraes Domingues Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Faculdade de Comunicação Social
Palavras-chave: Relatos de navegação, navegadores, naufrágios

Resumo

Entre os séculos XVI e XVII, os portugueses praticamente dominaram as rotas mundiais de navegação. Embarcar e viver - de algum modo - relacionado às viagens ultramarinas não era para poucos. Ao contrário. Era para muitos. Da população de Portugal daquela época, cerca de 1,5 milhão de habitantes - 280 mil no início e 360 mil no final do século - cerca de 25% andavam embarcados ou estavam diretamente envolvidos com os negócios da navegação. Este artigo busca analisar três relatos trágico-marítimos entre os 12 coletados por Gomes de Brito. A escolha se dá porque estes têm relação direta com o Brasil. Como se verá adiante, os textos selecionados - que tratam de dor, medo, morte e sobrevivência - apresentam indícios do jornalismo, como objetividade, clareza e informação. Ao mesmo tempo, contêm ingredientes essenciais do jornalismo literário, como subjetivismo, estratégias literárias, detalhamento de cenas e ambientes e a relação entre realidade e ficção. Tudo, no entanto, parece tornar verídicas as narrativas. E verossímeis a ficção.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Juan de Moraes Domingues, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Faculdade de Comunicação Social

Doutor em Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professor do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da PUCRS. Membro da Associação Internacional de Estudos em Jornalismo Literário (IALJS).

Referências

BRITO, Bernardo Gomes de. História trágico-marítima. Rio de Janeiro: Lacerda/Contraponto, 1998.

CASTRO, Gustavo de; GALENO, Alex. Jornalismo e literatura: A sedução da palavra. São Paulo: Escrituras, 2005.

COSSON, Rildo. Romance-reportagem: o império contaminado. In: CASTRO, Gustavo de; GALENO, Alex. Jornalismo e Literatura: a sedução da palavra. São Paulo, Escrituras, 2005.

HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-Modernismo: história, teoria e ficção. Rio de Janeiro: Imago, 1988.

LIMA, Alceu Amoroso. O jornalismo como gênero literário. Rio de Janeiro: Agir,1969.

MADEIRA, Angélica. Livro dos naufrágios: Ensaio sobre a História trágico-marítima. Brasília: UnB, 2005.

MALERBA, Jurandir (Org). A História Escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2009.

OLINTO, Antonio. Jornalismo e Literatura. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1970.

RESENDE, Fernando. Textuações: ficção e fato no Novo Jornalismo de Tom Wolfe. São Paulo: Annablume Fapesp, 2002.

SCHAFF, Adam. História e verdade. Lisboa: Estampa, 1974.

SILVA, Juremir Machado. O que pesquisar quer dizer. Porto Alegre: Sulina, 2010.

______. O que escrever quer calar?: Literatura e jornalismo. In: CASTRO, Gustavo de; GALENO, Alex. Jornalismo e literatura: a sedução da palavra. 2. ed. São Paulo: Escrituras Editora, 2002. p. 47-51. (Coleção Ensaios Transversais).

VEYNE, Paul. Como se escreve a história: Foucault revoluciona a história. Brasília: Universidade de Brasília, 1982.

WHITE. Hayden. Enredo e verdade na escrita da história. In: MALERBA, Jurandir (Org). A História Escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2009.

Publicado
2016-09-22
Como Citar
Domingues, J. de M. (2016). As narrativas portuguesas sobre naufrágios e o texto do jornalismo literário. Revista FAMECOS, 23(4), ID24898. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2016.s.24898