Nós, o Povo: as redes das Casas do Povo nos alinhamentos corporativos (1933–1974)

  • Natália Pereira Universidade do Minho.
Palavras-chave: Estado Novo, Corporativismo, Casas do Povo

Resumo

A ênfase da investigação na produção discursiva nos planos ideológico, jurídico e propagandístico (e também em matéria económica) faz denotar o laconismo das pesquisas acerca do impacto dos organismos primários no mundo rural (Grémios da Lavoura e Casas do Povo) - na esteira dos trabalhos pioneiros de Manuel Lucena e de estudos recentes (Estevão, Freire, Garrido). Este artigo pretende explorar as dinâmicas sociais internas das Casas do Povo (1934-1973) e as inter-relações tecidas com os organismos corporativos primários, centrais e regionais (Grémios da Lavoura, Junta Central das Casas do Povo, 1945; Federação Distrital das Casa do Povo de Braga, 1957), através de um estudo intensivo, por amostragem (a rede em estudo é composta por mais de 100 Casas do Povo do Distrito de Braga), tendo como principais fontes os inquéritos às Casas do Povo, um dos mecanismos encontrados pelo Estado para conhecer e acompanhar estes organismos e o mundo rural. Procura-se assim contribuir para a problematização destas entidades enquanto veículos de disseminação política, jurídica e social da estrutura pretensamente massiva do corporativismo.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Natália Pereira, Universidade do Minho.
Lab2PT, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho.

Referências

ALVES, Maria Manuela da Silva Fernandes. As Casas do Povo como instituições reveladoras da Mundividência do regime Salazarista. 1998. 171. Tese de Mestrado em História das Instituições e Cultura Moderna e Contemporânea. Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, 1998.

AMARAL, Diogo Freitas do. Corporativismo, Fascismo e Constituição. In: ROSAS, Fernando; GARRIDO, Álvaro (Coord.). Corporativismo, Fascismos, Estado Novo. Coimbra: Edições Almedina, 2012. p. 49-79.

ARAÚJO, César; FERREIRA, Silva; TEOTÓNIO, Gonçalves. Colecção de Legislação Corporativa do Trabalho e Previdência. Lisboa: S.ed., 1969.

BARREIRA, Óscar Rodríguez; TÁBOAS, Daniel Lanero. Juventud y Campesinado en las falanges rurales: España, 1939-50. História Agrária, n.º 62, p. 177-216, 2014.

BARROS, Afonso. Do latifundismo à reforma agrária. O caso de uma freguesia do Baixo Alentejo. Lisboa: CEEA; Instituto Gulbenkian de Ciência, 1986.

FERNÁNDEZ, David Soto; PRIETO, Lourenzo Fernández. Política Florestal e conflictividade nas terras comunais de Galicia durante o Franquismo (1939-1975). In: FREIRE, Dulce; FONSECA, Inês; GODINHO, Paula (Coord.). Mundo Rural. Transformação e Resistência na Península Ibérica (Século XX). Lisboa: Edições Colibri, 2004. p. 225-249.

FERREIRA, Fátima Moura; PEREIRA, Natália M. Magalhães. As dinâmicas internas das Casas do Povo sob o olhar das inspeções (anos 40 a início dos anos 70). Comunicação apresentada no Congresso Internacional – Espaços Corporativos e Escalas Urbanas no Século XX – Organismos Primários, Estruturas Administrativas e Ordem Estatal. Braga: Universidade do Minho, abr-2015. (No prelo)

FONSECA, Inês. A bem da Nação! Modernização e resistência em meio rural durante o Estado Novo. In: FREIRE, Dulce; FONSECA, Inês; GODINHO, Paula (Coord.). Mundo Rural. Transformação e Resistência na Península Ibérica (Século XX). Lisboa: Edições Colibri, 2004. p. 71-105.

FREIRE, Dulce. O Estado Corporativo em acção: sociedade rural e construção da rede de Casas do Povo. In: ROSAS, Fernando; GARRIDO, Álvaro (Coord.). Corporativismo, Fascismos, Estado Novo. Coimbra: Edições Almedina, 2012. p. 273-302.

FREIRE, Dulce; FERREIRA, Nuno Estevão; RODRIGUES, Ana Margarida. Corporativismo e Estado Novo. Contributo para um roteiro de Arquivos das Instituições Corporativas (1933-1974). Estudos & Relatórios ICS, ER1-2014. Disponível em:

http://www.ics.ul.pt/publicacoes/workingpapers/wp2014/er2014_1.pdf. Acesso em: Dezembro, 2014.

GAGLIARDI, Alessio. Il corporativismo fascista. Bari: Gius, Laterza & Figli, 2010.

GARRIDO, Álvaro. O Estado Novo e as Pescas. A recriação historicista de uma “Tradição Marítima Nacional”. In: TORGAL, Luís Reis; PAULO, Heloísa (Coord.). Estados autoritários e totalitários e suas representações. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2008. p. 99-118.

GARRIDO, Álvaro. A terra e o mar não se sindicalizam! As casas dos pescadores no sistema corporativo do Estado Novo português (1933-1968). In: PASETTI, Matteo (Eds.). Tra due crisi: Urbanizzazione, mutamenti sociali e cultura di massa tra gli anni Trenta e gli anni Settanta. Bolonha: Archetipo Libri, 2012. p. 87-110.

GARRIDO, Álvaro. Uma história da Economia Social. Lisboa: Tinta da China, 2016.

LUCENA, Manuel de. A evolução do sistema corporativo português. Vol. I. O Salazarismo. Lisboa: Perspectivas & Realidades, 1976a.

LUCENA, Manuel de. A evolução do sistema corporativo português. Vol. II. O Marcelismo. Lisboa: Perspectivas & Realidades, 1976b.

LUCENA, Manuel de. Casas do Povo. In: BARRETO, A; MÓNICA, M. Filomena (ed.). Dicionário de História de Portugal. Lisboa: Figueirinhas, 1999, Vol. III: Suplemento A/E.

LUCENA, Manuel de. Os lugar-tenentes de Salazar: Armindo Monteiro, Pedro Theotónio Pereira, Alberto Franco Nogueira, José Gonçalo Correia de Oliveira, Adriano Moreira. Biografias. Lisboa: Alêtheia, 2015.

PATRIARCA, Fátima. A questão Social no Salazarismo. 1930-1947. Vol. I. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1995.

PEREIRA, Maria Eugénia Torres; CALADO, Carlos Alberto Domingues. Casas do Povo. Legislação Coordenada e Anotada. Despachos Normativos. Modelos Exemplos. Lisboa: Editorial Império, 1940.

PINTO, António Costa; MARTINHO, Francisco Palomanes (Org.). A vaga corporativa: corporativismo e ditaduras na Europa e na América Latina. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais, 2016.

ROLLO, Fernanda. Erupção dos paradoxos. Desmandos da organização corporativa e reencontros do corporativismo no rescaldo da II Guerra. O inquérito à organização corporativa em 1947. In: ROSAS, Fernando; GARRIDO, Álvaro (Coord.). Corporativismo, Fascismos, Estado Novo. Coimbra: Edições Almedina, 2012. P. 189-225.

ROSAS, Fernando; GARRIDO, Álvaro (Coord.). Corporativismo, Fascismos, Estado Novo. Coimbra: Edições Almedina, 2012.

ROSAS, Fernando. O corporativismo Enquanto Regime. In: ROSAS, Fernando; GARRIDO, Álvaro (Coord.). Corporativismo, Fascismos, Estado Novo. Coimbra: Edições Almedina, 2012. p. 17-47.

SERAPIGLIA, Daniele. La Via portuguese al corporativismo. Roma: Carocci, 2011.

TORRES, Jorge Filipe Mano da Silva. Os comerciantes e o Grémio do Comércio de Guimarães. Dinâmicas associativas, corporativas e comerciais (1939-1969). 2013. 167. Dissertação de Mestrado em História. Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, 2013.

VILLAVERDE, M. Cabo; TÀBOAS, Daniel Lanero. Associativismo agrario y transformaciones de la sociedad rural en España y Portugal: uma visión a largo prazo (1880-1975). In: TÀBOAS, Daniel Lanero; FREIRE, Dulce (ed.). Agricultura e innovación tecnológica en la Península Ibérica (1946-1986). Madrid: Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino, 2011.

WIARDA, Howard, J. O corporativismo em Portugal e no mundo moderno. In: GASPAR, Carlos; PATRIARCA, Fátima; MATOS, Luís Salgado de Matos (Org.). Estado, Regimes e Revoluções. Estudos em homenagem a Manuel Lucena. Lisboa: ICS. Imprensa de Ciências Sociais, 2012. p. 263-276.

Publicado
2016-12-21
Como Citar
Pereira, N. (2016). Nós, o Povo: as redes das Casas do Povo nos alinhamentos corporativos (1933–1974). Oficina Do Historiador, 9(2), 99-118. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2016.2.24558
Seção
Dossiê