OBJETOS DE ENSINO NOS MUSEUS ESCOLARES: OS USOS PEDAGÓGICOS DAS “CABEÇAS ÉTNICAS” E O DISCURSO SOBRE OS TIPOS RACIAIS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO (1900-1930)

  • Felipe Rodrigo Contri Paz UFRGS
Palavras-chave: Museus Escolares. Método Intuitivo. Teorias Raciais.

Resumo

Os museus escolares, aplicando o método intuitivo ou Lições de Coisas, transpondo a pedagogia do ouvir para o do olhar, visavam auxiliar o professor no ensino escolar por meio de objetos naturais, pedagógicos ou réplicas. Em levantamento realizado em museus localizados em espaços escolares na Região Metropolitana de Porto Alegreverificou-se em dois acervos de escolas privadas a presença de bustos de gesso, representações dos diferentes tipos humanos. A partir deste dado empírico, algumas inquietações surgem em relação aos usos pedagógicos destas cabeças étnicas e de como eram utilizadas em relação ao método intuitivo. No momento do surgimento dos museus escolares no interior das escolas normais, teorias estavam povoando as discussões dos intelectuais da educação. Postulavam sobre a existência de diferentes tipos humanos, cuja determinação se comprovava pela relação ou ação de vários genes na espécie. Estas discussões contribuíram para o fortalecimento de uma interpretação sobre a existência de uma raça ideal, desejada à sociedade e justificada sob os prismas científico-biológicos, onde os comportamentos humanos passam a ser gradativamente encarados como resultado imediato de leis naturais e biológicas. O objetivo deste trabalho é mapear os museus escolares que possuem estes bustos, permitindo a verificação e análise da utilização destes no ensino, e suas possíveis relações com o método intuitivo. Este estudo supõe que as cabeças eram utilizadas com vistas a aproximar os alunos dos tipos raciais, cuja caracterização embasava-se nas teorias científicas do contexto, a partir do método intuitivo.

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Biografia do Autor

Felipe Rodrigo Contri Paz, UFRGS
Mestrando na Faculdade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na linha História, Memória e Educação. Graduado em História Licenciatura Plena e Bacharelado Pleno pelo Centro Universitário La Salle/Unilasalle. Pós-Graduado no MBA em Gestão de Pessoas e Liderança Coach na mesma instituição. Atuou como orientador de exposições no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli/MARGS e foi bolsista de Iniciação Cientifica - FAPERGS - Unilasalle atuando na temática de Práticas Alimentares, Antropologia e Envelhecimento. Trabalhou em um projeto de construção do Histórico da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas, que resultou em uma exposição de longa duração e o livro dos 70 anos da instituição. Foi estagiário do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, prestando atendimento ao público, auxílio a pesquisa, catalogação e arquivamento de documentos históricos, bem como monitorando visitas ao setor. Tem experiência na questão do Patrimônio Histórico e Cultural, Educação Patrimonial e Memória, Museus de História, Representações e histórias de vida. Atuou como professor-oficineiro do Projeto Mais Educação/MEC em Porto Alegre e Canoas. Atualmente é professor nomeado da Secretaria da Educação do Estado do Rio Grande do Sul.
Publicado
2014-10-17
Como Citar
Contri Paz, F. R. (2014). OBJETOS DE ENSINO NOS MUSEUS ESCOLARES: OS USOS PEDAGÓGICOS DAS “CABEÇAS ÉTNICAS” E O DISCURSO SOBRE OS TIPOS RACIAIS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO (1900-1930). Oficina Do Historiador, 1072-1086. Recuperado de https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/oficinadohistoriador/article/view/18995