A Inquisição de Portugal e a ambiguidade em face ao conhecimento letrado no ocaso do Antigo Regime

  • Igor Tadeu Camilo Rocha UFMG
Palavras-chave: Inquisição, cultura letrada, Libertinagem.

Resumo

Este artigo pretende analisar a atuação do Tribunal do Santo Ofício de Portugal durante no ocaso do século XVIII, tendo como objetivo verificar como se dava a relação entre este tribunal e o saber letrado dos acusados descritos nos processos, denúncias e apresentações. Numa primeira parte, pretende-se desenvolver um diálogo com a historiografia sobre a ilustração portuguesa, a fim de se discutir como que reformas conduzidas pelo Estado português contribuíram para a formação de sociabilidades ilustradas, nas quais se destacam os chamados libertinos. Num segundo momento, o objetivo é verificar a ambiguidade das percepções dos inquisidores em relação ao letramento desses mesmos libertinos. A esse saber letrado nota-se a atribuição de características positivas e negativas conforme determinadas relações construídas entre eles e formulações consideradas heréticas.

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Biografia do Autor

Igor Tadeu Camilo Rocha, UFMG
Possui graduação em História - Bacharelado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2011) e graduação em História - Licenciatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (2009). Atualmente é mestrando, matriculado no Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais (2013). É membro da coordenação da Oficina de Paleografia- UFMG (2012). Membro do Conselho Editorial da Revista Temporalidades, revista discente do Programa de Pós Graduação da UFMG (2013).

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Publicado
2014-12-04
Como Citar
Camilo Rocha, I. T. (2014). A Inquisição de Portugal e a ambiguidade em face ao conhecimento letrado no ocaso do Antigo Regime. Oficina Do Historiador, 7(2), 19-39. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2014.2.16304