Uma história de outros regressos: a comunidade lusófona e as fronteiras do império

  • Gustavo Henrique Rückert Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
Palavras-chave: Hipercontemporâneo, Imigração, Império

Resumo

Neste artigo, pretendemos analisar algumas marcas do hipercontemporâneo nas literaturas de língua portuguesa. Para isso, tomamos a ideia do contemporâneo enquanto as “trevas de nosso tempo”, formulada por Giorgio Agamben.  esse sentido, defendemos que as “trevas de nosso tempo” são os problemas relacionados às travessias identitárias das fronteiras da modernidade. Desse modo, analisaremos as obras Estive em Lisboa e lembrei de você, do brasileiro Luiz Ruffato, e O meu nome é Legião, do português Lobo Antunes, as quais representam a questão do imigrante brasileiro e africano em Portugal. Como aporte teórico, utilizaremos conceitos de Homi Bhabha, Stuart Hall, Edward Saïd, João Guimarães Rosa, Boaventura de Sousa Santos e Margarida Calafate Ribeiro. Os resultados apontam que uma hipercontemporaneidade na comunidade lusófona está extremamente relacionada à questão colonial, uma vez que marcas identitárias (língua, nacionalidade, classe social, gênero, religiosidade) são impostas ou reivindicadas a partir das fronteiras que perduram do império.

********************************************************************

A history of others returns: the Lusophone Community and the borders of the empire

Abstract: In this article, we examine some traces of hyper-contemporary in Portuguesespeaking literatures. For this, we take the idea of contemporary as the "darkness of our time", formulated by Giorgio Agamben. In this regard, we argue that the "darkness of our time" are the problems related to identity crossings of the borders of modernity. Thus, we will analyze the works Estive em Lisboa e lembrei de você, by Brazilian Luiz Ruffato, and O meu nome é Legião, by the Portuguese Lobo Antunes, which represent the question of Brazilian and African immigrants in Portugal. As a theoretical contribution, we will use concepts of Homi Bhabha, Stuart Hall, Edward Saïd, João Guimarães Rosa, Boaventura de Sousa Santos and Margarida Calafate Ribeiro. The results indicate that a hyper-contemporaryness in Lusophone community is extremely related to the colonial question, because identifying marks (language, nationality, social class, gender, religiousness) are imposed or claimed from the borders that remain of the empire.

Keywords: Hyper-contemporary; Immigration; Empire


Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gustavo Henrique Rückert, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
Pesquisador PNPD/CAPES, atuando no Programa de Pós-Graduação em Letras, área de Literatura Comparada, da Universidade Federal de Pelotas.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo? E outros ensaios. Trad. Vinícius Nikastro Honesko. Chapecó: Argos, 2009.

ANTUNES, António Lobo. O meu nome é Legião. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

BHABHA, Homi. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila, Eliana Lourenço Reis e Gláucia Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.

CAMINHA, Pero Vaz de. Carta de achamento do Brasil. In: CASTRO, Silvio. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 2013. p. 43-67.

CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. Porto Alegre: L&PM, 2008.

CHAKRABARTY, Dipesh. A poscolonialidade e o artifício da história. Trad. Erahsto Felício. Disponível em: . Acesso em: 15 fev. 2015.

FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. Trad. Salma Tannus Muchail. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

LOURENÇO, Eduardo. Camões no presente. In: ______. O labirinto da saudade: psicanálise mítica do destino português. Lisboa: Dom Quixote, 1982.

PESSOA, Fernando. Mensagem. Porto Alegre: L&PM, 2006. PNDU. Relatório de desenvolvimento humano 2009. Disponível em: <http://www.pnud.org.br/hdr/arquivos/RDHglobais/ hdr2009-portuguese.pdf>. Acesso em: 22 dez. 2015.

RIBEIRO, Margarida Calafate. O fim da história de regressos e o retorno a África: leituras da literatura contemporânea portuguesa. In: BRUGIONI, Elena et al. (Orgs.). Itinerâncias: percursos e representações da pós-colonialidade. Porto: Edições Húmus, 2012. p. 89-100.

RIBEIRO, Margarida Calafate. Uma história de regressos: império, guerra colonial e pós-colonialismo. Porto: Edições Afrontamento, 2004.

ROSA, João Guimarães. A terceira margem do rio. In: ______. Ficção completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. Vol. 2. p. 409-413.

RUFFATO, Luiz. Estive em Lisboa e lembrei de você. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

SAID, Edward. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Trad. Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Entre Próspero e Caliban: colonialismo, pós-colonialismo e interidentidade. In:______. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2010. Vol. 4, p. 227-276.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Portugal: tales of being and not being. Portuguese Literary & Cultural Studies. University of Massachusetts Dartmouth, 2009. Disponível em:

plcs.umassd.edu/docs/sousasantos_090414.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2012.

Publicado
2016-12-31
Como Citar
Rückert, G. H. (2016). Uma história de outros regressos: a comunidade lusófona e as fronteiras do império. Letras De Hoje, 51(4), 501-508. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2016.4.23653