Da interseccionalidade à encruzilhada

Operações epistêmicas de mulheres negras nas universidades brasileiras

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7289.2021.3.40200

Palavras-chave:

Pensamento feminista negro, Interseccionalidade, Teoria feminista, Encruzilhada

Resumo

O presente artigo tem por objetivo refletir sobre as estratégias de resistência das estudantes negras na pós graduação a partir das experiências dos autores do artigo, enquanto orientador e orientanda. Parte-se da análise dos efeitos da circulação internacional da rede de conceitos relacionados à interseccionalidade em seus efeitos de apropriação politicamente neutralizante e da destituição intelectual da centralidade da experiência negra. No que pese a teoria feminista ter incorporado a interseccionalidade, frequentemente opera uma supressão intelectual da centralidade das experiências de mulheres negras para a constituição de um ponto de vista autodefinido. Para se contrapor a esse efeito neutralizante da circulação internacional do conceito, se analisa aqui como o conceito tem sido traduzido e experimentado por pós-graduandas negras enquanto encruzilhada – categoria da religiosidade de matriz africana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Winnie de Campos Bueno, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Porto Alegre, RS, Brasil.

Mestre em Direito Público pelo Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade do Vale Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, RS, Brasil. Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em Petolas, RS, Brasil. Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre, RS, Brasil.

José Carlos dos Anjos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Porto Alegre, RS, Brasil.

Doutor em Antropologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre, RS, Brasil. Pós-doutorado em Sociologia Política pela Ecole Normale Supérieure (ENS), em Paris, França. Professor dos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e em Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em Porto Alegre, RS, Brasil.

Referências

Bairros, Luiza. 1995. Nossos feminismos revisitados. Revista Estudos Feministas 3 (2): 458-63. https://doi.org/10.1590/%25x.

Barthes, Roland. 2005. Sade, Fourier, Loyola. São Paulo: Martins Fontes.

Bento, Maria Aparecida S. 2002. Branqueamento e branquitude no Brasil. In Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil, organizado por Iray Carone e Maria Aparecida Silva Bento, 5-58. Rio de Janeiro: Vozes.

Bilge, Sirma. 2018. Interseccionalidade desfeita: salvando a interseccionalidade dos estudos feministas sobre interseccionalidade. Revista Feminismos 6 (3): 67-82.

Blackwell, Maylei e Nadine Naber. 2002. Interseccionalidade em uma era de globalização: as implicações da conferência mundial contra o racismo para práticas feministas transnacionais. Revista Estudos Feministas 10 (1): 189-98. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2002000100012.

Bueno, Winnie. 2020. Imagens de controle: um conceito do pensamento de Patricia Hill Collins. Porto Alegre: Editora Zouk.

Carby, Hazel V. 1982. White woman listen! Black feminism and the boundaries of sisterhood. In The empire strikes back: race and racism in 70’s Britain, 212-35. Centre for Contemporary Cultural Studies. Londres: Routledge.

Cardoso, Claudia P. 2017. Por uma epistemologia feminista negra do sul: experiências de mulheres negras e o feminismo negro no Brasil. 13º Mundos de Mulheres & Fazendo Gênero 11. Florianópolis, SC: Instituto de Estudos de Gênero, 2017.

Carneiro, Sueli. 2003a. Mulheres em movimento. Estudos avançados 17 (49): 117-133. https://doi.org/10.1590/S0103-40142003000300008.

Carneiro, Sueli. 2003b. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. Racismos contemporâneos 17 (49): 49 -58.

Carneiro, Sueli. 2005. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. Tese em Educação, Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP, Brasil.

Colins, Cleyce Silva. 2021. Performar o encante: saberes do terreiro como articuladores de criação em dança. Dissertação em Artes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ufrgs, Porto Alegre, RS, Brasil.

Collins, Patricia H. 1996. What’s in a name? Womanism, black feminism, and beyond. The Black Scholar 26 (1): 9-17. https://doi.org/10.1080/00064246.1996.11430765.

Collins, Patricia H. 2009. Black feminist thought: knowledge, consciousness, and the politics of empowerment. Londres: Routledge.

Collins, Patricia H. 2015. Intersectionality’s definitional dilemmas. Annual review of sociology 41 (1): 1-20. https://doi.org/10.1146/annurev-soc-073014-112142.

Collins, Patricia H. 2016. Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro. Sociedade e Estado 31 (1): 99-127. https://doi.org/10.1590/S0102-69922016000100006.

Collins, Patricia H. 2019. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo Editorial.

Collins, Patricia H. e Sirma Bilge. 2016. Intersectionality. Nova Jersey: John Wiley & Sons.

Crenshaw, Kimberlé. 2004. A intersecionalidade na discriminação de raça e gênero. Unifem 1 (1): 7-16.

Crenshaw, Kimberlé. 1989. Demarginalizing the intersection of race and sex: a black feminist critique of antidiscrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. University of Chicago Legal Forum 1989 (1): 139-167.

Crenshaw, Kimberlé. 1991. Mapping the margins: identity politics, intersectionality, and violence against women. Stanford Law Review 43 (6): 1241-1299. https://doi.org/10.2307/1229039.

Cunha, Janine M.V. 2020. Poder e política sob o ponto de vista das mulheres de terreiro no Rio Grande do Sul. Dissertação em Sociologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ufrgs, Porto Alegre, RS, Brasil.

Davis, Angela. 2016. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo Editorial.

Espinosa Miñoso, Yuderkys. 2016. De por qué es necesario un feminismo descolonial: diferenciación, dominación co-constitutiva de la modernidad occidental y el fin de la política de identidad. Solar: revista de filosofía iberoamericana 12 (1): 141-171. https://doi.org/10.20939/solar.2016.12.0109.

Evaristo, Conceição. 2005. Da representação à auto-apresentação da mulher negra na literatura brasileira. Revista Palmares 1 (1): 52-57.

Evaristo, Conceição. 2017. Becos da memória. Rio de Janeiro: Pallas.

Figueiredo, Angela. 2020. Epistemologia insubmissa feminista negra decolonial. Revista Tempo e Argumento 12 (29): e0102. https://doi.org/10.5965/2175180312292020e0102.

Gordon, Lewis. 2012. Essentialist anti-essentialism, with considerations from other sides of modernity. Quaderna: A Multilingual and Transdisciplinary Journal 1. https://quaderna.org/wp-content/uploads/2012/12/Gordon-essentialist-and-essentialism.pdf.

Hirata, Helena. 2014. Gênero, classe e raça interseccionalidade e consubstancialidade das relações sociais. Tempo social 26 (1): 61-73. https://doi.org/10.1590/S0103-20702014000100005.

hooks, bell. 2015. Mulheres negras: moldando a teoria feminista. Revista Brasileira de Ciência Política 16: 193-210. https://doi.org/10.1590/0103-335220151608.

hooks, bell. 2020. Teoria feminista. São Paulo: Editora Perspectiva SA.

Lobato, Monteiro. 1982. A menina do narizinho arrebitado. São Paulo: Revista do Brasil

Pereira, Patrícia G. 2019. O Quilombo dos Machado e a pedagogia da ginga: deslocamentos em busca da vida. Dissertação em Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ufrgs, Porto Alegre, RS, Brasil.

Phoenix, Ann e Pamela Pattynama. 2006. Intersectionality. European Journal of Womens Studies 13 (3): 187-192. https://doi.org/10.1177/1350506806065751.

Piedade, Vilma. 2017. Dororidade. São Paulo: Editora Noz.

Piscitelli, Adriana. 2008. Interseccionalidades, categorias de articulação e experiências de migrantes brasileiras. Sociedade e cultura 11 (2): 263-274. https://doi.org/10.5216/sec.v11i2.5247.

Puar, Jasbir K. 2012. I would rather be a cyborg than a goddess: becoming-intersectional in assemblage theory. PhiloSOPHIA 2(1): 49-66.

Santos, Sônia Beatriz dos. 2007. Feminismo negro diaspórico. Revista Gênero 8 (1):11-26. https://doi.org/10.22409/rg.v8i1.157.

Stengers, Isabelle. 1990. Quem tem medo da ciência? Ciências e poderes. São Paulo: Edições Siciliano.

Vigoya, Mara V.2016. La interseccionalidad: una aproximación situada a la dominación. Debate feminista 52: 1-17. https://doi.org/10.1016/j.df.2016.09.005.

Werneck, Jurema. 2007. Of Ialodês and feminists: reflections on black women’s political action in Latin America and the Caribbean. Cultural Dynamics 19 (1): 99-113. https://doi.org/10.1177/0921374007077383.

Yuval-Davis, Nira. 2006. Intersectionality and feminist politics. European journal of women’s studies 13 (3): 193-209. https://doi.org/10.1177/1350506806065752.

Downloads

Publicado

2021-12-07

Como Citar

Bueno, W. de C., & Anjos, J. C. dos. (2021). Da interseccionalidade à encruzilhada: Operações epistêmicas de mulheres negras nas universidades brasileiras. Civitas: Revista De Ciências Sociais, 21(3), 359–369. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2021.3.40200

Edição

Seção

Dossiê: Interseccionalidades, Direitos e Políticas