Aproximações etnográficas em territórios marginais: as cenas abertas de uso do crack em Cuiabá

Palavras-chave: Situação de rua, Territorialidades marginais, Controle social, Resistências.

Resumo

Com base no método etnográfico e lançando mão da perspectiva biopolítica e de aportes sobre o conceito de territorialidade da antropologia urbana, o presente artigo visa problematizar algumas dinâmicas da vida que perpassam as cenas abertas de uso de crack e outras drogas ilegalizadas no centro histórico da Cuiabá, MT, Brasil. Os resultados demonstram que esses territórios são alvo de mecanismos diversos de controle social, que se expressam por meio de violências múltiplas e permanentes, mas também se constituem enquanto espaços que reúnem pessoas estigmatizadas e expulsas da sociedade normalizada, ou seja, pessoas que constroem laços e interações sociais, se auto-organizam e resistem ante a pluralidade de violências perpetradas sobre elas.

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Biografia do Autor

Yamila Soledad Abal, Universidade Federal de Mato Grosso

Graduação em Sociologia pela Universidad de Buenos Aires (Buenos Aires, Argentina).Especialização em Profesorado de enseñanza secundaria, normal y especial en Sociología pela Universidad de Buenos Aires (Buenos Aires, Argentina). Mestre pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT, Cuiabá, MT, Brasil).

Silvia Ángela Gugelmin, Universidade Federal de Mato Grosso

 

Doutorado (2001) em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Rio de Janeiro, RJ, Brasil). Docente no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT, Cuiabá, MT, Brasil).

 

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Publicado
2019-02-27
Como Citar
Abal, Y. S., & Gugelmin, S. Ángela. (2019). Aproximações etnográficas em territórios marginais: as cenas abertas de uso do crack em Cuiabá. Civitas - Revista De Ciências Sociais, 19(1), 178-194. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2019.1.30951
Seção
Dossiê: Vida na rua – contribuições analíticas do campo das ciências sociais