Atitudes políticas e mundos semânticos: um estudo qualitativo sobre a racionalidade aquém das ideologias políticas

Palavras-chave: Atitudes políticas. Ideologia. Classes sociais.

Resumo

Este artigo traz um estudo empírico qualitativo sobre as percepções e as atitudes políticas de brasileiros de sete regiões metropolitanas brasileiras. Utilizando dados de 323 entrevistas semiestruturadas, identifica quatro padrões discursivos relacionados a atitudes e a racionalidades políticas distintas. Investiga também a associação desses padrões discursivos com a escolaridade e o grupo ocupacional dos entrevistados. A técnica utilizada para identificar esses padrões é a análise de conteúdo assistida por análise estatística de texto. Os resultados substantivos apontam para as limitações do conceito de ideologia para explicar as atitudes políticas e sugerem agendas de pesquisa para a melhor compreensão sobre como essas atitudes se organizam e sobre o seu papel no funcionamento do sistema político.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Emerson Ferreira Rocha, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF

Doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília. Professor Adjunto do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.

Referências

Ames, B. e A. E. Smith. 2010. Knowing left from right: ideological identification in Brazil, 2002-2006. Journal of politics in Latin America 2, nº 3: 3-38. https://doi.org/10.1177/1866802x1000200301.

Carmines, E. G. e N. J. D’Amico. 2015. The new look in political ideology research. Annual Review of Political Science 18, nº 1: 205-216. https://doi.org/10.1146/annurev-polisci-060314-115422.

Carreirão, Y. de S. Identificação ideológica e voto para presidente. 2002. Opinião Pública 8, nº 1: 54-79. https://doi.org/10.1590/s0104-62762002000100004.

Carvalhaes, F. A. de O. 2015. A tipologia ocupacional Erikson- Goldthorpe-Portocarero (Egp): uma avaliação analítica e empírica. Sociedade e Estado 30, nº 3: 673-703. https://doi.org/10.1590/s0102-69922015.00030005.

Clark, T. N., S. M. Lipset, e M. Rempel. 1993. The declining political significance of social class. International Sociology 8, nº 3: 293-316. https://doi.org/10.1177/026858093008003003.

Corbin, J. and A. Strauss. 1990. Grounded theory research: procedures, canons and evaluative criteria. Zeitschrift Für Soziologie 19, nº 6: 418-427. https://doi.org/10.1515/zfsoz-1990-0602.

Ferreira, M. C. Permeável. 2001. Ma non troppo: a mobilidade social em setores de elites, Brasil-1996. Revista Brasileira de Ciências Sociais 16, nº 47: 141-160. https://doi.org/10.1515/zfsoz-1990-0602.

Ferrer, L. E. G. y R. Q. Velasco. 2013. Izquierda y derecha: formas de definirlas, el caso latinoamericano y sus implicaciones. América Latina Hoy 65, 79-105. https://doi.org/10.1515/zfsoz-1990-0602.

Grusky, D. B. and J. B. Sørensen. 1998. Can class analysis be salvaged? American Journal of Sociology 103, nº 5:1187-1234. https://doi.org/10.1086/231351.

Hout, M., C. Brooks, and J. Manza. 1995. The democratic class struggle in the United States, 1948-1992. American Sociological Review 60, nº 6: 805-828. https://doi.org/10.2307/2096428.

Krosnick, J. A. and M. A. Milburn. 1990. Psychological determinants of political opinionation. Social Cognition 8, nº 1: 49-72. https://doi.org/10.1521/soco.1990.8.1.49.

Luskin, R. C. 1990. Explaining political sophistication. Political Behavior 12, nº 4: 331-361. https://doi.org/10.1007/bf00992793.

Marchand, P. et P. Ratinaud. s. d. L’identité nationale: un “grand débat” loin d’être clos. Acesso em Agosto, 26 2018. http://www.iramuteq.org/Members/pmarchand/lidentite-nationale-un-grand-debat .

Oliveira, C., e M. Turgeon. 2015. Ideologia e comportamento político no eleitorado brasileiro. Opinião Pública 21, nº 3: 574-600. https://doi.org/10.1590/1807-01912015213574.

Power, T. J., e C. Zucco Jr. 2009. Estimating ideology of brazilian legislative parties, 1990-2005: a research communication. Latin American Research Review 44, nº 1: 218-246. https://doi.org/10.1353/lar.0.0072.

Reinert, M. 1990. Alceste: une méthodologie d’analyse des données textuelles et une application: Aurelia de Gerard de Nerval. Bulletin de Méthodologie Sociologique 26, nº 1: 24-54. https://doi.org/10.1177/075910639002600103.

Rennó, L. e M. Turgeon. 2016. A psicologia política das classes sociais no Brasil: atributos das atitudes políticas por estratificação e mobilidade social. Dados 59, nº 1: 11-52. https://doi.org/10.1590/00115258201670.

Ribeiro, C. A. C. 2006. Class, race, and social mobility in Brazil. Dados 49, nº 4: 833-873

Saavedra, G. A. e E. A. Sobottka. 2008. Introdução à teoria do reconhecimento de Axel Honneth. Civitas 8, nº 1: 19-28. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2008.1.4319.

Santos, J. A. F. 2005a. Uma classificação socioeconômica para o Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais 20, nº 58: 27-45. https://doi.org/10.1590/s0102-69092005000200002.

Santos, J. A. F. 2005b. Efeitos de classe na desigualdade racial no Brasil. Dados 48, nº 1: 21-65. https://doi.org/10.1590/s0011-52582005000100003.

Scalon, C. 2007. Justiça como igualdade? A percepção da elite e do povo brasileiro. Sociologias 9, nº 18: 126-149. https://doi.org/10.1590/s1517-45222007000200007.

Scalon, M. C. 1998. Mapeando estratos: critérios para escolha de uma classificação. Dados 41, nº 2: 337-375. https://doi.org/10.1590/s0011-52581998000200003.

Singer, A. 1999. Esquerda e direita no eleitorado brasileiro: a identificação ideológica nas disputas presidenciais de 1989 e 1994. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo. https://doi.org/10.33594/000000072.

Tarouco, G. da S. e R. M. Madeira. 2013. Partidos, programas e o debate sobre esquerda e direita no Brasil. Revista de Sociologia e Política 21, nº 45: 149-165. https://doi.org/10.1590/s0104-44782013000100011.

Turgeon, M. 2009. ‘Just thinking’: attitude development, public opinion, and political representation. Political Behavior 31, nº 3: 353-378. https://doi.org/10.1007/s11109-008-9079-4.

Wright, E. O. 1980. Class and occupation. Theory and Society 9 (1): 177-214.

Zechmeister, E. 2006. What’s left and who’s right? A Q-Method study of individual and contextual influences on the meaning of ideological labels. Political Behavior 28, nº 2: 151-173. https://doi.org/10.1007/s11109-006-9006-5.

Zechmeister, E., y M. Corral. 2010. El variado significado de ‘izquierda’y ‘derecha’en América Latina. Perspectivas desde el barómetro de las Américas 38: 1-10.

Zechmeister, E. J. and M. Corral. 2013. Individual and contextual constraints on ideological labels in Latin America” Comparative Political Studies 46, nº 6: 675-701. https://doi.org/10.1177/0010414012463880.

Publicado
2020-05-26
Como Citar
Rocha, E. F. (2020). Atitudes políticas e mundos semânticos: um estudo qualitativo sobre a racionalidade aquém das ideologias políticas. Civitas - Revista De Ciências Sociais, 20(1), 85-97. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2020.1.29912
Seção
Artigos