Protestos sociais em Moçambique: uma agenda de pesquisa

  • Remo Mutzenberg UFPE
Palavras-chave: Política externa brasileira. Desenvolvimento econômico. Protestos sociais. Relações Brasil África. Vale do Rio Doce. Moçambique.

Resumo

A África na última década passou a ser lócus de investimentos de empresas internacionais, particularmente no campo da exploração de recursos naturais. A empresa brasileira Vale do Rio Doce é uma destas empresas que vem investindo na exploração do carvão em Moçambique. Por um lado, a presença da Vale em Tete-Mz gerou expectativas de desenvolvimento e é considerada como investimento importante para o desenvolvimento econômico do país. Por outro lado, essa presença e seus desdobramen-
tos no campo social, ambiental e frustrações de expectativas da população têm gerado protestos de diferentes ordens. O texto busca situar a presença da Vale do Rio Doce, e de outras empresas brasileiras, em África no quadro da diplomacia política e econômica brasileira, assumida na última década, e da política de incentivos adotados pelos países em África para atrair investimentos, particularmente em Moçambique. Segue análise da Vale em Moçambique, ao lado de outros projetos de mineração. Destaca-se uma análise das manifestações, ocorridas a partir de 2012, pelos reassentados da Vale, situando esses confrontos como parte visível das tensões geradas pela presença, não só da Vale, pelos megaprojetos de mineração. Coloca-se a questão de como esses confrontos se articulam com um movimento latente, isto é, com os questionamentos em relação à política interna moçambicana relativa aos megaprojetos que estariam produzindo riqueza sem fixá-la no país. Nessa direção, a consolidação das relações entre Brasil e Moçambique (e África), no sentido de se estabelecerem relações verticais ou horizontais, não depende apenas de acordos de cooperação, mas das dinâmicas políticas internas e externas, em que a Vale é apenas um dos atores. O texto, assim, se propõe pontuar questões de pesquisa que dizem respeito a processos sociais e políticos locais conectados transnacionalmente, que colocam como quadro geral o debate atual sobre desenvolvimento, dependência e cooperação nas relações Sul-Sul.

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Biografia do Autor

Remo Mutzenberg, UFPE
Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco, Recife, pós-doutorando no Centro de Estudos Africanos – Iscte/IUL, em Lisboa, Portugal, e professor do Departamento de Sociologia e do PPG em Sociologia da UFPE, em Recife, PE, Brasil. O argumento do presente artigo foi apresentado no Painel Africa’s resource blessing: pathways to autonomy in a conflicting donor world na 5th European Conference on African Studies, African dynamics in a multipolar world-ECAS 2013.
Publicado
2014-04-11
Como Citar
Mutzenberg, R. (2014). Protestos sociais em Moçambique: uma agenda de pesquisa. Civitas - Revista De Ciências Sociais, 14(1), 137-153. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2014.1.16196
Seção
Dossiê