Machado desafia a pós-modernidade:
realismo estético e crítica cínica
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2026.1.49383Palavras-chave:
Pós-modernidade, Realismo estético, Crítica cínica, Machado de Assis, Estética marxistaResumo
Este artigo analisa criticamente a pós-modernidade, compreendida não como ruptura histórica, mas como forma ideológica correspondente às contradições do capitalismo tardio. Com base nas formulações de Fredric Jameson (2000), Jean-François Lyotard (1990) e Robert Kurz (1992), argumenta-se que o pensamento pós-moderno, ao rejeitar categorias como totalidade, tipicidade, luta de classes, tende a produzir a despolitização da teoria e a obnubilação das determinações materiais da vida social. Em contraposição, este texto mobiliza a estética marxista, sobretudo com as contribuições de György Lukács (2010), para reafirmar o realismo como forma artística capaz de apreender o movimento histórico e revelar os conflitos estruturais da sociabilização sob os ditames do capital. Nessa perspectiva, a obra de Machado de Assis é interpretada como expressão singular de um realismo crítico que, por meio da ironia, do humor e do cinismo, desvela as contradições da modernização capitalista periférica no Brasil do oitocentos. A análise de Memórias Póstumas de Brás Cubas e Quincas Borba evidencia como os dispositivos zynismus e do kynismus operam como estratégias narrativas de crítica social. Conclui-se que, diante dos postulados fragmentários pós-modernos, a literatura realista permanece como espaço privilegiado de disputa de narrativas, de embates teóricos para pensar o contemporâneo.
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