Pelos meandros da quase-memória
narrativas de filiação e a busca pelo tempo perdido
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.48023Palavras-chave:
Narrativas de si, Narrativas de filiação, Temporalidade, Memória, Carlos Heitor ConyResumo
Este artigo busca analisar romance de filiação Quase memória, de Carlos Heitor Cony. As narrativas de filiação se enquadram dentro das chamadas narrativas de si e buscam uma rememoração a partir da anterioridade do sujeito, ou seja, a partir dos antepassados do narrador-escritor. Em Quase memória, Cony apresenta uma narrativa voltada para a (re)construção da a imagem de seu pai e das marcas deixadas por ele em sua vida. Entre os fragmentos de memória dão forma à narrativa, nos deparamos com o tempo da memória que presentifica o passado e dá contornos à subjetividade do escritor-narrador. Situado dentre as narrativas de filiação, Quase memória nos apresenta um herdeiro ambivalente que ora aceita e ora rejeita a herança paterna. A narrativa fornece, também, elementos para investigação de uma teoria da memória e da narrativa memorialística de filiação que, ao focar nas figuras parentais e sua herança, acaba por desvelar aspectos do psiquismo e da temporalidade do inconsciente e da memória.
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