A ausência que seremos
filiação e violência na narrativa de Héctor Abad Faciolince
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.47871Palavras-chave:
narrativa de filiação, escritas de si, violência política, memória e trauma, literatura colombianaResumo
Este artigo analisa o romance A ausência que seremos, do autor colombiano Héctor Abad Faciolince, como uma narrativa de filiação, categoria proposta por Dominique Viart e Bruno Vercier (2008) para designar narrativas autobiográficas marcadas pela reconstrução da memória, da herança e do trauma a partir de figuras parentais. A partir de um enfoque teórico-metodológico que se interessa pelos estudos sobre as escritas de si (Santos, 2020), o artigo discute como a obra de Abad Faciolince elabora, pela mediação do pai assassinado, uma memória coletiva da violência política na Colômbia. Busca-se, assim, compreender como a narrativa de filiação opera como dispositivo de resistência, de filiação afetiva e de denúncia, oferecendo um contrapeso à narrativa dos algozes. Ao articular o pessoal e o coletivo, a obra contribui para refletir sobre o rosto das vítimas e os modos de transmissão da memória traumática no contexto latino-americano contemporâneo. Além disso, a análise propõe uma leitura crítica da relação entre herança intergeracional e apagamento, destacando o papel da literatura como espaço de elaboração simbólica do luto e da injustiça histórica.
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