A ausência que seremos

filiação e violência na narrativa de Héctor Abad Faciolince

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.47871

Palavras-chave:

narrativa de filiação, escritas de si, violência política, memória e trauma, literatura colombiana

Resumo

Este artigo analisa o romance A ausência que seremos, do autor colombiano Héctor Abad Faciolince, como uma narrativa de filiação, categoria proposta por Dominique Viart e Bruno Vercier (2008) para designar narrativas autobiográficas marcadas pela reconstrução da memória, da herança e do trauma a partir de figuras parentais. A partir de um enfoque teórico-metodológico que se interessa pelos estudos sobre as escritas de si (Santos, 2020), o artigo discute como a obra de Abad Faciolince elabora, pela mediação do pai assassinado, uma memória coletiva da violência política na Colômbia. Busca-se, assim, compreender como a narrativa de filiação opera como dispositivo de resistência, de filiação afetiva e de denúncia, oferecendo um contrapeso à narrativa dos algozes. Ao articular o pessoal e o coletivo, a obra contribui para refletir sobre o rosto das vítimas e os modos de transmissão da memória traumática no contexto latino-americano contemporâneo. Além disso, a análise propõe uma leitura crítica da relação entre herança intergeracional e apagamento, destacando o papel da literatura como espaço de elaboração simbólica do luto e da injustiça histórica.

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Biografia do Autor

Dayan Ariadna Guzmán Bejarano, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, Bahia, Brasil.

Professora e pesquisadora na Universidad Libre (Bogotá, Colômbia). Licenciada em Educação Básica com ênfase em Humanidades e Idiomas (Universidad Libre, Colômbia). Mestre em Educação (Universidad Libre, Colômbia), didática de Línguas Estrangeiras com ênfase em Francês LE e L2 (Université de Poitiers, França) e Educação Inclusiva e Intercultural (Universidad El Bosque, Colômbia). Discente do Doutorado em Letras: Linguagens e Representações (Linha B Estudos Linguísticos) e pesquisadora atuante no grupo GEPEL (Grupo de Estudos e Pesquisas em Aprendizagem de Línguas) da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, Brasil. Autora do livro A Competência oral e as habilidades do pensamento: proposta didática para a aprendizagem do francês como língua estrangeira na formação inicial.

Yuri Andrei Batista Santos, Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Ilhéus, Bahia, Brasil.

Doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo, Brasil, e em Sciences du Langage pela Université Paris Cité, França (2023). Pós-doutorando no Programa de Pós-graduação em Letras: Linguagens e Representações da Universidade Estadual de Santa Cruz. Colidera o Laboratório de Auto-bio-grafismo, Cartografia e Memória (UESC-CNPQ).

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Publicado

2025-12-02

Como Citar

Guzmán Bejarano, D. A., & Batista Santos, Y. A. (2025). A ausência que seremos: filiação e violência na narrativa de Héctor Abad Faciolince. Letrônica, 18(1), e47871. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.47871

Edição

Seção

AS NARRATIVAS DE FILIAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE