O ensaístico em Diário da queda, de Michel Laub

uma narrativa de filiação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.47851

Palavras-chave:

Ensaístico, Filiação, Hibridez, Literatura contemporânea

Resumo

No romance Diário da queda, de Michel Laub, o narrador focaliza sua própria biografia, a de um amigo de infância e as de dois antepassados, pai e avô, a fim de estabelecer um posicionamento ético diante da “inviabilidade da experiência humana em todos os tempos e lugares”. Para desenvolvê-lo, ele se apropria e reflete sobre o arquivo familiar, notoriamente escritos dos antepassados, reivindicando a importância do afeto e da interação háptica para os vínculos familiares. Como resultado desse processo, que transita da autobiografia à narrativa de filiação, o romance toma a forma do ensaio. No presente estudo, são analisados tais aspectos de sua hibridez, colocando-se a ênfase em seu caráter ensaístico. Discute-se como a obra realiza uma imbricação enunciativa entre narrador e autor, intensificando assim sua potência de intervenção na realidade. Nesta análise, demonstra-se, por exemplo, como o posicionamento ético estabelecido pelo narrador oscila entre afastamento e aproximação em relação a atitudes tomadas pelos antepassados.

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Biografia do Autor

Cristian Silveira, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.

Doutorando e Mestre em Letras (Literatura, Cultura e Tradução) pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas.

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Publicado

2025-12-03

Como Citar

Silveira, C. (2025). O ensaístico em Diário da queda, de Michel Laub: uma narrativa de filiação. Letrônica, 18(1), e47851. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2025.1.47851

Edição

Seção

AS NARRATIVAS DE FILIAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE