Análise pragmática de linguagem excludente
um estudo de macroatos de fala
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2024.1.46226Palavras-chave:
linguagem excludente, discurso, (macro)atos de fala, análise crítica do discursoResumo
O presente artigo apresenta uma análise dos atos de fala proferidos em um discurso político que contém linguagem excludente do tipo xenofóbico, racista, social e ideológico. Partiu-se da hipótese de que o discurso excludente em pauta segue alguns padrões linguísticos que visam mascarar as reais intenções do locutor e persuadir os receptores a se alinharem a sua fala. Para tal fim, o artigo dialoga com teorias linguísticas que estão na interface da oratória, pragmática e análise textual, considerando segmentos textuais mais extensos do que o enunciado. O arcabouço teórico é composto pelos princípios de discurso de Aristóteles (2018), pela perspectiva linguística de Atos de Fala de Austin (1962), de Macroatos de Fala de Van Dijk (1980, 1981) e pela Análise Crítica do Discurso de Fairclough (1995, 1996, 2001). Conclui-se que o discurso analisado se situa num contexto de prática social institucional, no qual o locutor representa, incorpora e desempenha posicionamentos padronizados na estrutura social, assinalados diversas vezes ao longo do pronunciamento observado, explícito nas próprias escolhas lexicais e pelas intenções subjacentes a elas.
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