Grito de protesto
A voz da mulher negra em Quarto de despejo - diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2021.3.39264Palavras-chave:
Literatura, Subalternidade, Mulher negra, Escrita, Lugar de falaResumo
Carolina Maria de Jesus (1914-1977) começou a frequentar a escola aos sete anos, quando um rico fazendeiro resolveu pagar o estudo de algumas crianças pobres do bairro onde morava. Aprendeu a ler e escrever e parou de estudar no segundo ano. Em Quarto de despejo – diário de uma favelada retrata, de maneira autobiográfica, o cotidiano da vida na favela paulista entre 1955 e 1960. Através da escrita de um diário e com linguagem simples, tenta desabafar e expor os lamentos e tristezas de sua vida como mulher-negra-favelada. Assim, pretende-se investigar em que medida a Literatura constitui-se fonte de pesquisa para a compreensão da realidade histórico-social vivenciada pela mulher negra e favelada no Brasil. O estudo bibliográfico qualitativo fundamentou-se em contribuições teóricas de críticos como Raymond Williams (1969), Jaques Le Goff (2003) e Gayatri Spivak (2010). O resultado revela que, apesar da miséria e marginalização, a mulher negra pode construir um espaço em que ela tenha voz.
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