Desaprendendo a escrever o humano e o poético
Uma leitura de Seiva, veneno ou fruto, de Júlia De Carvalho Hansen
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-4301.2021.1.37881Palavras-chave:
Seiva, veneno ou fruto, palavra quimérica, perspectivismo, poesia contemporânea brasileira.Resumo
O presente artigo tem como objetivo apresentar uma leitura do livro de poemas Seiva, veneno ou fruto, da poeta paulistana Júlia de Carvalho Hansen ([2016] 2018), tendo como ponto de partida a maneira como espécies animais, vegetais e minerais aparecem nos versos. Para tanto, em um primeiro momento, trouxe ao debate as contribuições de Derrida (2002), acerca da relação com os animais na filosofia ocidental e na poesia. Encontrados pontos de contato entre os discursos – o poético e o filosófico –, emergiram igualmente diferenças, pelo fato de o autor dedicar suas elaborações apenas aos animais, e não a todos os seres. Seguindo o rastro deixado por tal distinção, o artigo volta-se para o perspectivismo ameríndio amazônico (VIVEIROS DE CASTRO, 2013a; 2013b), como forma de pensar estes signos, nos poemas, por uma outra cosmovisão, na qual os seres não humanos são entendidos enquanto sujeitos e, portanto, detentores de consciência e intencionalidade. Por fim, com o entrecruzamento de leituras, para além da reflexão sobre os seres não humanos no poema e da obra, o texto acaba por se defrontar com a própria palavra poética – este ser a deixar rastros.
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Referências
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