A presença dos gregos na análise bergsoniana das ciências e da metafísica

Palavras-chave: Mudança, Espaço, Percepção, Ciência, Metafísica

Resumo

Em 1911, Henri Bergson proferiu na Universidade de Oxford conferências em que associa sua visão das ciências ao pensamento grego. Com base nessa comparação, trata-se de reconstituir sua análise das ciências e da metafísica desde os cursos que ele ofereceu na juventude sobre a filosofia grega. Consideramos que eles explicitam tanto seu vínculo com a tradição filosófica quanto a radicalidade do seu pensamento, sobretudo nas conclusões metafísicas de A evolução criadora. Nesse percurso, pretendemos distinguir a física e a matemática da psicologia e da biologia; reconstituir as diferenças que ele identifica entre escolas gregas; cotejar postulados do pensamento antigo com os do pensamento moderno; e demonstrar com quais aspectos dessas referências a filosofia bergsoniana possui maiores afinidades. Não se trata de reduzir seu pensamento à filosofia dos antigos, mas demonstrar como essa interlocução é especialmente profícua em sua análise das ciências e da metafísica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Tomás Prado, Universidade Federal do ABC (UFABC), São Bernardo do Campo, SP, Brasil.

Doutor em Filosofia (PUC-Rio), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; com experiência de pesquisa na Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, França; pós-doutor em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), em São Paulo, SP, Brasil. Professor visitante de Filosofia na Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André, SP, Brasil.

Referências

ARENT, H., A vida do espírito. Trad. Cesar Augusto de Almeida, Antônio Abranches e Helena Martins. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. Leonel Vallandro. Porto Alegre: Editora Globo, 1969.

BARNES, J. Filósofos Pré-Socráticos. Trad. Julio Fische. São Paulio: Martins Fontes, 1997.

BERGSON, H. A evolução criadora. Trad. Adolfo Casais Monteiro. São Paulo: Editora UNESP, 2009.

BERGSON, H. Aulas de Psicologia e de Metafísica. Trad. Rosemary Abílio, São Paulo: Martins Fontes, 2014.

BERGSON, H. Cursos sobre a filosofia grega. Trad. Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

BERGSON, H. Ensaios sobre os dados imediatos da consciência. Trad. João da Silva Gama, Lisboa: Edições 70, 2011.

BERGSON, H. O Pensamento e o movente. Trad. Bento Prado Neto. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

BERGSON, H. O que Aristóteles pensou sobre o lugar. Trad. Anna Lia de Almeida Prado. Campinas: Editora Unicamp, 2013.

DELEUZE, G. Bergsonismo. Trad. Luiz Orlandi. São Paulo: Editora 34, 2012.

FOUCAULT, M. O nascimento da clínica. Trad. Roberto Machado. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011.

HEIDEGGER, Martin. Ser e tempo. Márcia Schuback. Petrópolis: Vozes, 2006.

KANT, I. Crítica da razão pura. Trad. Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2018.

LEOPOLDO E SILVA, F. Bergson – intuição e discurso filosófico. São Paulo: Loyola, 1994.

MOSSÉ-BASTIDE, R-M. Bergson et Plotin. Paris: Presses Universitaires de France, 1959.

PRADO JUNIOR, B. Presença e campo transcendental: consciência e negatividade na filosofia de Bergson. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.

VERNANT, J.-P. As origens do pensamento grego. Trad. Ísis da Fonseca. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

WORMS, F. Bergson ou les deux sens de la vie. Paris: Presses Universitaires de France, 2004.

WORMS, F. Le vocabulaire de Bergson. Paris: Ellipses, 2013.

Publicado
2020-12-31
Como Citar
Prado, T. (2020). A presença dos gregos na análise bergsoniana das ciências e da metafísica. Veritas (Porto Alegre), 65(3), e37619. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.3.37619
Seção
Epistemologia & Filosofia da Linguagem