O que há de realmente atemorizador nos cenários tipo-Gattaca?

Palavras-chave: Gattaca, edição genética, eugenia, Habermas, Sandel, direitos humanos

Resumo

No filme Gattaca, imagina-se um futuro já nada distante em que os casais poderão consultar um especialista em fertilização artificial e escolher as características de seu futuro filho. Eles podem selecionar embriões fertilizados em laboratório, podendo também alterar seus traços genéticos, eliminando genes capazes de expressar doenças ou mesmo características físicas indesejáveis. Técnicas recentes, como a edição genética por Prime Editing ou por meio da CRISPR-Cas9, logo permitirão terapias gênicas em embriões fertilizados in vitro antes de sua implantação uterina. Neste artigo, pretendemos avaliar essas possibilidades, revisando criticamente alguns argumentos conhecidos contra o uso indiscriminado de tais técnicas (como o argumento da ladeira escorregadia, e os argumentos de Jurgen Habermas e Michael Sandel). Ao final, em defesa de que objeções de princípio a práticas eugênicas devem estar assentadas na proteção e promoção dos direitos humanos, pretendemos avaliar quais limites poderiam publicamente justificar a permissão ou proibição do uso privado de tais técnicas.

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Biografia do Autor

Marco Antonio Azevedo, Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Doutor em Filosofia (UFRGS).

Marcos Rolim, Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), Porto Alegre, RS

Doutor em Sociologia. Professor do PPG em Direito do Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter) em Porto Alegre, RS, Brasil.

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Publicado
2020-07-25
Como Citar
Azevedo, M. A., & Rolim, M. (2020). O que há de realmente atemorizador nos cenários tipo-Gattaca?. Veritas (Porto Alegre), 65(2), e36605. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.2.36605
Seção
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