A maturidade simbólica

Da ciência ao mito

Palavras-chave: Mito, Ciência, Símbolo, Mente, Linguagem

Resumo

O presente estudo tem por objetivo demonstrar que o mito, não a ciência, expressa a mais elevada aplicação e atividade da mente humana. Para tanto, é preciso compreender a natureza da razão científica em sua delimitação/limitação conceitual dos fenômenos, o que impossibilita à ciência uma descrição científica da realidade em sua concretude. As contribuições da moderna epistemologia servem-nos aqui de base para uma compreensão da natureza das investigações científicas. Diante de tais contribuições, a ciência se apresenta como dependente de um discurso que alcance a totalidade vivenciada pelos seres humanos, discurso que terá de ser simbólico. O símbolo é a operação essencial do pensamento humano em vista da totalidade do ser, como dizer e agir. Com isso, tornar-se claro de que modo qualquer atividade científica e conceitual depende, em última instância, de uma cosmovisão mitológica que lhe ofereça sua moldura de compreensão e de sentido, a partir da qual ela pode ser vivenciada pela cultura humana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cesar Augusto Mathias de Alencar, Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Macapá, AP, Brasil.

Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil), professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) em Macapá, AP, Brasil.

Referências

ARISTÓTELES. De Anima. Tradução de Maria dos Reis. São Paulo: Ed. 34, 2006.

ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Paulo Pinheiro. São Paulo: Ed. 34, 2017.

BRISSON, L. Introdução à Filosofia do Mito. São Paulo: Paulus, 2014.

CASSIRER, E. A filosofia do iluminismo. Campinas: Ed. Unicamp, 1992a.

CASSIRER, E. Linguagem e mito. São Paulo: Perspec-tiva, 1992b.

COLLOBERT, C.; DESTRÉE, P.; GONZALES, F. (ed.). Plato and Myth: Studies on the Use and Status of Platonic Myths. Boston: Brill, 2012. DOI: https://doi.org/10.1163/9789004224360.

COMTE, A. Curso de Filosofia Positiva. São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Coleção Os Pensadores).

DI BIASE, F.; AMOROSO, R. (org.) A revolução da cons-ciência: novas descobertas sobre a mente no século XXI. Petrópolis: Vozes.ELIADE, M. Imagens e Símbolos. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

FEYERABEND, P. Contra o Método. São Paulo: Ed. Unesp, 2011.

GUSDORF, G. Mythe et métaphysique: Introduction à la philosophie. Paris: Flammarion, 1953.

HAWKING, S. O Grande Projeto. São Paulo: Nova Fron-teira, 2011.

HEIDEGGER, M. O fim da filosofia e a tarefa do pen-samento. In: HEIDEGGER, M.. Conferências e escritos filosóficos. Tradução de Ernildo Stein. São Paulo: Nova Cultural, 2000. p. 89-108. (Coleção Os Pensadores).

HEISENBERG, W. Física e Filosofia. Brasília, DF: Ed. Unb, 1995.

HERÓDOTO. Histórias. Versão de Brito Broca. Rio de Janeiro: Clássico Jackson, 1950.

HESÍODO. Teogonia e Trabalhos e Dias. Tradução de Sueli M. de Regino. São Paulo: Martin Claret, 2010.

HUSSERL, E. Crise das ciências europeias e a fenome-nologia transcendental. São Paulo: Forense Universi-tária, 2012.JUNG, C. (org.). O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Harper Collins Brasil, 2016.

KANT, I. Crítica da Razão Pura. Lisboa: Calouste Gul-benkian, 2001.

KIRK, G.; RAVEN, J.; SCHOFIELD, M. Os filósofos pré-so-cráticos. Lisboa: Fundação Calouste, 2010.

KOLAKOWSKI, L. A presença do mito. Brasília, DF: Ed. UnB., 1981.

KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2006.

LANGER, S. Filosofia em nova chave. São Paulo: Pers-pectiva, 2004.

LUKACS, G. A teoria do romance. São Paulo: Ed. 34, 2009.

PLATÃO. Diálogos I– Teeteto, Sofista, Protágoras. Tr a-dução de Edson Bini. São Paulo: Edipro, 2007a.

PLATÃO. Fedro, Fédon. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Pará: EDUFPA, 2007b.

PLATÃO. Carta VII. Tradução de José Trindade dos Santos e Juvino Maia Jr. Rio de Janeiro: Ed. PUC-RIO; São Paulo: Loyola, 2008.

POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 1972.

QUINE, W. Two Dogmas of Empiricism. In: QUINE, W. From a Logical Point of View, 2. ed. Cambridge: Harvard University Press, 1980.

SANTOS, M. F. Tratado de Simbólica. São Paulo: É Realizações, 2007.

SCRUTON, R. Arte e imaginação: um estudo em filosofia da mente. São Paulo: É Realizações, 2017.

SILVA, F. L. A metafísica na Crítica da Razão Pura. Trans/Form/Ação, São Paulo, 11, p. 1-11, 1988. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-31731988000100002.

SMITH, W. Ciência e mito. São Paulo: Vide Editorial, 2014.

SMITH, W. O Enigma Quântico. São Paulo: Vide Edi-torial, 2015.

SNELL, B. A cultura grega e as origens do pensamento europeu. São Paulo,: Perspectiva, 2005.

SOKAL; BRICMONT. Imposturas Intelectuais. Rio de Janeiro: Record, 1999.

STEGMÜLLER, W. A filosofia contemporânea. São Paulo: Forense Universitária, 2012.

TORRANO. J. Mito e Dialética na tragédia Os Sete contra Tebas de Ésquilo. In: ÉSQUILO. Tragédias: Ésquilo. São Paulo: Iluminuras, 2009.

VERNANT, J-P. Mito e pensamento entre os gregos. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

VOEGELIN, E. Ordem e História. São Paulo: Loyola, 2009. v. 2.

Publicado
2020-12-31
Como Citar
Mathias de Alencar, C. A. (2020). A maturidade simbólica: Da ciência ao mito. Veritas (Porto Alegre), 65(3), e35275. https://doi.org/10.15448/1984-6746.2020.3.35275
Seção
Epistemologia & Filosofia da Linguagem