Transição para educação infantil: estudo comparativo do processo de vinculação primária e secundária

Palavras-chave: vinculação primária, vinculação secundária, apego, relação mãe-bebê, educação infantil

Resumo

O presente artigo buscou: 1) descrever e comparar: a) a qualidade do vínculo entre o bebê-mãe e  bebê-educadora, aos nove e doze meses de vida; b) a percepção do temperamento do bebê pelas mães e educadoras e, 2) correlacionar os indicadores de vinculação com os escores obtidos nas escalas de temperamento. Participaram nove bebês e suas respectivas mães e duas educadoras que responderam a escala de temperamento e foram filmadas individualmente com os respectivos bebês, aos nove e doze meses. Os resultados indicaram a presença de vinculação primária com a mãe e secundária com a educadora, ambas satisfatórias. Não houve correlações entre temperamento e comportamentos interativos na interação mãe-bebê, mas foram observadas entre educadora-bebê. Embora o vínculo mãe-bebê seja mais forte, a qualidade estabelecida com as educadoras sugere que a transição para a educação infantil pode ser positiva.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Veronica Aparecida Pereira, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), MS.

Doutora em Educação Especial, com pós-doutorado em Psicologia do Desenvolvimento. Docente do curso de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), SP.

Doutora em Psicologia Experimental. Docente do curso de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp-Bauru.

 

Isabela Rocha Izidoro, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), MS.

Mestre em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Referências

Alvarenga, P., & Cerezo, M. A. (2013). Interação mãe-criança : fidedignidade da versão brasileira do sistema observacional CITMI-R1. Avaliação Psicológica, 12(71), 307-316.

Ainsworth, M. D. S., Blehar, M. C., Waters, E., & Wall, S. (1978). Patterns of attachment: A psychological study of the strange situation. Hillsdale: Erlbaum.

Bowlby, J. (1989). Uma base segura: aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artes Médicas.

Cárcamo, R. A., García-Riquelme, A., Lagos, S., & Gómez, E. (2019). Apego en niños con asistencia temprana a salas cuna en la ciudad de Punta Arenas (Chile): un estudio piloto. Rev. Lat Inoam.Cienc. Soc.Niñez, 17(2), 1-21. https://doi.org/10.11600/1692715x.17210

Caruso, D. A. (1990). Infant Day Care and the Concept of Developmental Risk. Infant Mental Health Journal, 11(358-364). https://doi.org/10.1002/1097-0355(199024)11:4<358::AID-IMHJ2280110408>3.0.CO;2-C

Chiodelli, T. (2016). Temperamento e prematuridade: influências sobre a interação mãe-bebê. (Dissertação de mestrado). Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru, São Paulo, Brasil.

Faria, A., & Fuertes, M. (2007). Reactividade infantil e a qualidade da interacção mãe-filho. Análise Psicológica, 4, 613-623. https://doi.org/10.14417/ap.470

Farran, D. C., & Ramey, C. T. (1977). Infant Day Care and attachment behaviors toward mothers and teachers. Child Development, 48, 1112-1116. https://doi.org/10.2307/1128371

Favaro, M. de S. F., Peres, R. S., & Santos, M. A. dos. (2012). Avaliação do impacto da prematuridade na saúde mental de puérperas. Psicologia USP, 17, 457-465. https://doi.org/10.1590/S1413-82712012000300012

Fuertes, M. (2004). Rotas da vinculação: O desenvolvimento do comportamento interactivo e a organizacao da vinculação no primeiro ano de vida do bebé prematuro. (Dissertação de Mestrado). Universidade do Porto, Porto, Portugal.

Fuertes, M., Faria, A., Soares, H., & Oliveira-Costa, A. (2010). Momentos de interação em que as emoções se apre(e)ndem: estudo exploratório sobre a prestação materna e infantil em jogo livre. Psicologia USP, 21(4), 833-857. https://doi.org/10.1590/S0103-65642010000400010

Fuertes, M., Lopes-Dos-Santos, P., Beeghly, M., & Tronick, E. (2009). Infant coping and maternal interactive behavior predict attachment in a Portuguese sample of healthy preterm infants. European Psychologist, 14(4), 320-331. https://doi.org/10.1027/1016-9040.14.4.320

Gonçalves, I., & Fuertes, M. (2015). A Importância do Pai na Qualidade da Autorregulação do Bebé. In: Fuertes, M., Nunes, C, Rosa, J. (Orgs) Evidências Em Intervenção Precoce. Lisboa: Centro de Estudos Educacionais, 37-54.

Linhares, M. B. M., & Martins, C. B. S. (2015). O processo da autorregulação no desenvolvimento de crianças. Estudos de Psicologia, 32(2), 281-294. https://doi.org/10.1590/0103-166X2015000200012

Maia, J. M. D., & Williams, L. C. de A. (2005). Fatores de risco e fatores de proteção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área. Temas Em Psicologia, 13(2), 91-103.

Malhado, S.C.B.; Alvarenga, P (2012). Relações entre o temperamento infantil aos oito meses e as práticas educativas maternas aos 18 meses de vida da criança, Estudos de Psicologia, Campinas, 29(Supl.), 789-797. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2012000500015

Massie, H., & Campbell, B. K. (1983). The Massie-Campbell scale of mother-infant attachment indicators during stress. En J. Call, E. Galenson, & R. Tyson (Orgs.), Frontiers of infant psychiatry. Nueva York: Basic Books, 394-412

Montirosso, R., Borgatti, R., Trojan, S., Zanini, R., & Tronick, E. (2010). A comparison of dyadic interactions and coping with still-face in healthy pre-term and full-term infants. British Journal of Developmental Psychology, 28(2), 347-368. https://doi.org/10.1348/026151009X416429

Nardi, C. G. de A., Rodrigues, O. M. P., Melchiori, L. E., Salgado, M. H., & Tavano, L. D. (2015). Bebês com Sequência de Pierre Robin : saúde mental materna e interação mãe-bebê. Estudos de Psicologia, 32(1), 129-140. https://doi.org/10.1590/0103-166X2015000100012

Pereira, V. A., Rodrigues, O. M. P., Carvalho, S. Z. L. de, & Chiodelli, T. (2015). Influências do Estresse e Ansiedade Puerperal nos Primeiros Meses do Desenvolvimento Infantil. Cadernos de Pós-Graduação Em Distúrbios Do Desenvolvimento, 15(1), 89-100.

Roecker, S., Marcon, S. S., Decesaro, M. das N., & Waidman, M. A. P. (2012). Significados E Percepções Sobre Centro De Educação Infantil Mother - Child Relation Under the Light of the attachment theory : Revista de Enfermagem UERJ, 20(1), 27-32.

Sanson, A., Hemphill, S. A., & Smart, D. (2004). Connections between temperament and social development: a review. Social Development, 13(1), 142-166,

https://doi.org/10.1046/j.1467-9507.2004.00261.x

Saur, B., Bruck, I., Antoniuk, S. A., & Riechi, T. I. J. de S. (2018). Relação entre vínculo de apego e desenvolvimento cognitivo, linguístico e motor. Psico, 49(3), 257.https://doi.org/10.15448/1980-8623.2018.3.27248

Seixas, Í., Barbosa, M., & Fuertes, M. (2017). Contributos para a auto-regulação do bebé no Paradigma Face-to-Face Still-Face. Análise Psicológica, 35(4),469-485. https://doi.org/10.14417/ap.1280

Senicato, C., Lima, M. G., & Barros, M. B. de A. (2016). Ser trabalhadora remunerada ou dona de casa associa-se à qualidade de vida relacionada à saúde? Cadernos de Saúde Pública, 32(8), 1-12. https://doi.org/10.1590/0102-311X00085415

Silva, V. dos R. (2018). O que pensam as educadoras e o que nos revelam os bebês sobre a organização dos espaços na educação infantil. (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Sergipe. Brasil.

Thomas, A., & Chess, S. (1977). Temperament and development. New York: Pleno.

Tronick, E., Als, H., Adamson, L., Wise, S., & Brazelton, B. (1978). The infant’s response to entrapment between contradictory messages in face-to-face interaction. American Academy of Child Psychiatry, 8(3), 1-13. https://doi.org/10.1016/S0002-7138(09)62273-1

Publicado
2020-02-12
Como Citar
Pereira, V. A., Rodrigues, O. M. P. R., & Izidoro, I. R. . (2020). Transição para educação infantil: estudo comparativo do processo de vinculação primária e secundária. Psico, 51(2), e34869. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2020.2.34869
Seção
Artigos