Música e masculinidade regional

o caso Morocha

Palavras-chave: Identidade gaúcha, Masculinidade, Sexualidade

Resumo

Morocha é frequentemente apontada como a música mais machista do gauchismo brasileiro. Através de uma sátira brutal, a canção apresentada no palco do festival Coxilha Nativista, em 1984, trouxe a temática da sexualidade e da performatividade masculina ao cerne das disputas estéticas de representação da identidade gaúcha. O presente artigo tem como objetivo discutir a relação de afinidade existente entre identidade gaúcha e masculinidade. Para tanto, parte-se de uma análise comparada entre a letra de Morocha e de Morocha, não! — canção de repúdio, lançada um ano depois. São também investigadas as sonoridades, a performance e o contexto histórico de ascensão dos festivais nativistas. Neste trabalho, os estereótipos de gênero e os modelos de masculinidade, acionados pelas canções, são discutidos em relação às demais representações de legitimação e à estigmatização da identidade sociocultural.

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Biografia do Autor

Henrique Ramos Reichelt, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil.

Doutor em comunicação social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, RJ, Brasil, e mestre pela mesma instituição. Realizou estágio de pesquisa (doutorado sanduíche) na McGill University. Possui master em Sociologie, art, culture et médiations techniques, pela Université Pierre Mendès France, em Grenoble, França. Graduou-se em Comunicação Social — Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre, RS, Brasil.

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Publicado
2021-09-03
Como Citar
Reichelt, H. R. (2021). Música e masculinidade regional: o caso Morocha. Revista FAMECOS, 28(1), e38880. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2021.1.38880