O uso crítico da memória nas narrativas jornalísticas sobre o rompimento da barragem da Vale

Palavras-chave: Narrativas, Memória, Cobertura jornalística

Resumo

Averiguar o uso crítico da memória na cobertura jornalística de situações impactantes é o objetivo deste artigo, que tem como proposta a reflexão sobre dois acontecimentos próximos que ocorreram no estado de Minas Gerais no século XXI. O propósito é analisar a cobertura dos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo sobre o rompimento da barragem da Vale, em 2019, em Brumadinho, e sua relação com o rompimento da barragem da Samarco, em 2015, em Mariana, por intermédio de uma análise de conteúdo, que apresenta como eixos operadores os “portadores de memória” identificados como “Fenômenos” e “Sujeitos”. Este olhar está ancorado nos conceitos de acontecimento e memória, em associação com o papel testemunhal do jornalismo. Nota-se que a cobertura proporcionou um relativo destaque para a conexão entre os dois acontecimentos recorrendo ao uso crítico da memória.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marta Regina Maia, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ouro Preto, MG

Doutora em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP, São Paulo, SP, Brasil) e pós-doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil). Professora permanente do Programa de Pós-graduação em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Mariana, MG, Brasil. Líder do Grupo de Pesquisa “Ponto: Afetos, Gêneros, Narrativas” (CNPq/UFOP). Uma das coordenadoras da Rede de Pesquisa Narrativas Midiáticas Contemporâneas (Renami) da SBPJor. Orientadora de Projetos de pesquisa sobre narrativas jornalísticas.

Referências

ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas de transformação da memória cultural. Campinas: Editora Unicamp, 2011.

BARBON, Júlia; CARAZZAI, Estelita H. Sobreviventes de Mariana revivem tragédia e relatam raiva e medo após Brumadinho. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 jan. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/sobreviventes-de-mariana-revivem-tragedia-e-relatam-raiva-e-medo-apos-brumadinho.shtml. Acesso em: 10 fev. 2019.

BARROS, José D’Assunção. O tempo dos historiadores. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

BRAGA, José Luiz. Dispositivos interacionais. In: ENCONTRO DA COMPÓS, 20., jun. 2011, Porto Alegre. Anais [...]. Porto Alegre: [s. n.], 2011.

COUTINHO, Mateus. Samarco não pagou nenhuma multa ao Ibama referente à tragédia em Mariana. O Globo, Rio de Janeiro, 29 jan. 2019. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/samarco-nao-pagou-nenhuma-multa-ao-ibama-referente-tragedia-em-mariana-23410255. Acesso em: 06 jan. 2019.

FRANÇA, Vera V. O acontecimento para além do acontecimento: uma ferramenta heurística. Acontecimento: reverberações. Belo Horizonte: Autêntica, 2012. p. 39-51.

FRANÇA, Vera V. O acontecimento e a mídia. Revista Galáxia, São Paulo, n. 24, p. 10-21, dez. 2012. Disponível em: http://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/12939/9406. Acesso em: 5 dez 2018.

GAGNEBIN, Jeanne M. Lembrar, escrever, esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: Contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, Editora Puc-RJ, 2006.

LINHARES, Carolina. “Certamente há um culpado”, diz Dodge sobre barragem da Vale em Brumadinho. Folha de

S. Paulo, São Paulo, 26 jan. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/certamente-ha-um-culpado-diz-dodge-sobre-barragem-da-vale-em-brumadinho.shtml. Acesso em: 05 fev. 2019.

LINHARES, Carolina. “Não esperem nada da Vale” diz promotor a atingidos após experiência de Mariana. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 2019. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/01/nao-esperem-nada-da-vale-diz-promotor-a-atingidos-apos-experiencia-de-mariana.shtml. Acesso em: 05 fev. 2019.

MAIA, Marta R.; LELO, Thales V. O potencial crítico das narrativas jornalísticas sobre o período ditatorial no Brasil. Brazilian Journalism Research (Online), v. 11, p. 128-145, 2015. Disponível em: https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/677. Acesso em: 20 jan. 2019. https://doi.org/10.25200/BJR.v11n1.2015.677.

MORAES, Igor. Estes fatos não são acidentes e a pena é ‘tranca’, diz promotor de Mariana. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 2019. Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/estes-fatos-nao-sao-acidentes-e-a-pena-e-tranca-diz-promotor-de-mariana/. Acesso em: 05 fev. 2019.

MOURA, Rafael M.; CURY, Teo. Toffoli e Raquel Dodge criam observatório para vítimas de Brumadinho, Mariana e Boate Kiss. Estado de S. Paulo, São Paulo, 31 jan. 2019. Disponível em: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,toffoli-e-raquel-dodge-criam-observatorio-para-vitimas-de-brumadinho-mariana-e-boate-kiss,70002702586. Acesso em: 03 fev. 2019.

NEIGER, Motti; ZANDBERG, Eyal; MEYERS, Oren. Reversed memory: Commemorating the past through coverage of the present. In: ZELIZER, Barbie; TENENBOIM-WEINBLATT, Keren (ed.). Journalism and Memory. New York: Palgrave Macmillan UK, 2014. p. 113-127. https://doi.org/10.1057/9781137263940_8.

NORA, Pierre. Entre história e memória: a problemática dos lugares. Revista Projeto História, São Paulo, v. 10, p. 07-28, 1993.

OLICK, Jeffrey K. Reflections on the underdeveloped relations between journalism and memory studies. In: ZELIZER, Barbie; TENENBOIM-WEINBLATT, Keren (ed.). Journalism and Memory. New York: Palgrave Macmillan UK, 2014. p. 17-31. https://doi.org/10.1057/9781137263940_2.

PEREIRA, Pablo. Em Mariana, memória do desastre e a espera por um novo lar. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 1 fev. 2019. Disponível em: https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,em-mariana-memoria-do-desastre-e-a-espera-por-um-novo-lar,70002702959. Acesso em: 10 fev. 2019.

PEREIRA, Pablo. Vida que segue? Não para as vítimas de Brumadinho. Blog da Garoa. [S. l.: s. n.]: [201?]. Disponível em: https://sao-paulo.estadao.com.br/blogs/blog-da-garoa/vida-que-segue-nao-para-as-vitimas-de-brumadinho/. Acesso em: 03 mar. 2019.

PERES, Ana C. Narrar o outro: notas sobre a centralidade do testemunho para as narrativas jornalísticas. Revista Galáxia, São Paulo, n. 31, p. 92-104, abr. 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/galaxia/article/view/20913/19080. Acesso em: 11 dez. 2018 https://doi.org/10.1590/1982-25542016120913.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento e silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.

QUERÉ, Louis. A dupla vida do acontecimento: por um realismo pragmatista. In: FRANÇA, Vera Regina Veiga;

OLIVEIRA, Luciana de (org.). Acontecimento: reverberações. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012. p. 21-38.

READING, Anna. The journalist as memory assembler: non-memory, the war on terror and the shooting of Osama Bin Laden. In: ZELIZER, Barbie; TENENBOIM-WEINBLATT, Keren (ed.). Journalism and Memory.

New York: Palgrave Macmillan UK, 2014. p. 164-178. https://doi.org/10.1057/9781137263940_11.

RESENDE, Fernando. Às desordens e aos sentidos: a narrativa como problema de pesquisa. Jornalismo contemporâneo: figurações, impasses e perspectivas. Salvador/EDUFBA, Brasília/Compós, 2011. p. 120-134.

RICOEUR, Paul. Tempo e Narrativa: A intriga e a narrativa histórica. V. 1. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.

RICOEUR, Paul. O perdão pode curar? Tradução: José Rosa. Revista Viragem, [s. l.], n. 21, 1996. Disponível em:

http://www.lusosofia.net/textos/paul_ricoeur_o_perdao_pode_curar.pdf. Acesso em: 14 de nov. 2019.

SARLO, Beatriz. Tempo passado: Cultura da memória e guinada subjetiva. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

Top Sites in Brazil. Disponível em: https://www.alexa.com/topsites/countries/BR. Acesso em 22 jan. 2019.

Publicado
2020-07-16
Como Citar
Maia, M. R. (2020). O uso crítico da memória nas narrativas jornalísticas sobre o rompimento da barragem da Vale. Revista FAMECOS, 27, e34278. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2020.1.34278
Seção
Jornalismo