Tempo e cinema: um diálogo entre Aby Warburg e Bill Morrison

Palavras-chave: Aby Warburg. Bill Morrison. Walter Benjamin.

Resumo

A problematização do caráter performático de Aby Warburg, aplicado ao Atlas de imagens Mnemosyne (1924-1929), em diálogo com a obra multimídia de Bill Morrison, Decasia (2001), é o nosso foco. A partir da penetração nas camadas do tempo e da materialidade das imagens operadas por ambos, investigaremos alguns dos conceitos-chave do historiador da arte – como a iconologia dos intervalos, a sobrevivência (Nachleben) das imagens, os movimentos pendulares (dinamograma) e as forças móveis das Pathosformeln – em contraponto com outros autores que desenvolveram pensamentos paralelos (Benjamin, Vertov, Epstein). Nosso objetivo é a ampliação das perspectivas sobre a natureza do cinema – explicitada no trabalho arqueológico e, ao mesmo tempo, transcendental do cineasta – apoiada no pensamento de Warburg sobre as particularidades das imagens.

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Biografia do Autor

Andréa C. Scansani, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis (SC).

Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP com período sanduíche no Institute du recherche sur le cinema et l’audiovisuel, Sorbonne Nouvelle, Paris 3. Mestre em Cinema pelo Instituto de Artes da UNICAMP. Especializada em Fotografia Cinematográfica pela Academia de Cinema e Drama de Budapeste/Hungria. Graduada em Cinema com especialização em Fotografia Cinematográfica pela ECA/USP. Membro do corpo docente do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Publicado
2019-12-17
Como Citar
Scansani, A. C. (2019). Tempo e cinema: um diálogo entre Aby Warburg e Bill Morrison. Revista FAMECOS, 26(2), e32427. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2019.2.32427
Seção
Cinema