Cinemas africanos e os meandros da visibilidade

Palavras-chave: Cinemas africanos. Mediação. Academia.

Resumo

Esse artigo discute questões relacionadas à construção de discursos analíticos sobre filmes africanos e como os critérios utilizados no processo de difusão e consagração dessa cinematografia reservam uma estreita relação com duas instâncias mediadoras: festivais/mostras e a academia. Argumentamos que a adoção de diferentes abordagens críticas parte de um processo de retroalimentação entre essas duas instâncias que, ao funcionarem como espaços de comunicação, orientam o conteúdo dos textos crítico-analíticos que circulam nestes espaços e, como consequência, restringem a percepção dessa cinematografia a determinados paradigmas. Considerando a importância dos festivais/mostras e da academia para a legitimação dos cinemas africanos e seus papéis como mediadores, fazemos uma breve análise de catálogos produzidos em três mostras sobre filmes africanos no Brasil entre 2015 e 2017, a fim de compreender as lógicas discursivas que orientam a produção de textos críticos sobre a cinematografia africana, e suas consequências sobre a visibilidade destes filmes.

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Biografia do Autor

José Francisco Serafim, Universidade Federal da Bahia, Salvador (BA).

Professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (PósCom-UFBA). Pós- Doutorado na Filmuniversität Babelsberg Konrad Wolf e Doutorado em Cinema Documentário (antropológico) pela Universidade Paris X - Nanterre (2000).

Ana Camila Esteves, Universidade Federal da Bahia, Salvador (BA).

Doutoranda e Mestra em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (PósCom-UFBA).

Morgana Gama de Lima, Universidade Federal da Bahia, Salvador (BA).

Doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (PósCom-UFBA) e Mestra em Cultura e Sociedade pela UFBA.

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Publicado
2019-12-17
Como Citar
Serafim, J. F., Esteves, A. C., & de Lima, M. G. (2019). Cinemas africanos e os meandros da visibilidade. Revista FAMECOS, 26(2), e31675. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2019.2.31675
Seção
Cinema