Serene Velocity no panorama da arte minimalista

  • Theo Costa Duarte Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Cinema experimental, Cinema Estrutural, Arte minimalista, Frank Stella

Resumo

No presente artigo analisa-se o filme Serene Velocity (1970), de Ernie Gehr, objetivando-se compreender os modos como apropria e reinventa um conjunto de determinados parâmetros das artes plásticas inusuais no cinema, em uma singular aproximação com o modernismo autorreflexivo das artes visuais e o minimalismo. Propomos assim uma análise formal comparativa do filme com obras e conceitos da escultura minimalista e da pintura modernista de Frank Stella. Entre os principais pontos de contato entre essas tendências artísticas contemporâneas e Serene Velocity encontra-se não somente aqueles mais evidentes, como a simplicidade e proeminência das formas, e a busca pela unidade e regularidade espacial, como também o modo de composição não relacional e serial, a construção autorreflexiva e anti ilusionista, e o deslocamento da ênfase nos significados advindos de um espaço psicológico interior para a própria atividade do espectador no desdobramento perceptivo e de sua compreensão dos elementos convencionados.

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Biografia do Autor

Theo Costa Duarte, Universidade de São Paulo

Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicação e Artes [USP] com pesquisa sobre as relações entre cinema experimental e artes visuais no cinema brasileiro e norte-americano. Mestre em Comunicação pela UFF. Foi programador do Cine Humberto Mauro [Belo Horizonte/2010-2011] e cocurador das mostras "Cinema Estrutural" [Caixa Cultural – RJ/2015] e "Visões da Vanguarda" [CCBB – SP/2016], entre outras.

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Publicado
2018-08-23
Como Citar
Duarte, T. C. (2018). Serene Velocity no panorama da arte minimalista. Revista FAMECOS, 25(3), ID30307. https://doi.org/10.15448/1980-3729.2018.3.30307
Seção
Cinema