Campos de experimentação agrícola na Escuela-Ayllu de Warisata

Reflexões sobre produtividade, trabalho e saber indígena no altiplano boliviano (1931-1940)

Palavras-chave: História ambiental, saberes tradicionais, História Ambiental, Educação indígena

Resumo

A Escuela-Ayllu de Warisata, localizada no altiplano boliviano entre o lago Titicaca e o nevado de Illampu, foi um projeto de educação indígena e rural ocorrido na Bolívia nos anos 1930 (1931-1940) que pretendeu integrar as concepções e os saberes das populações indígenas locais dentro dos ideais nacionais. A relação com o ambiente biofísico aparece de forma marcante na fonte autobiográfica de Elizardo Pérez, um dos fundadores do projeto. Ademais, a escola se inseria em um contexto de disputa pelo acesso à terra, pela autonomia e pelos modos de organização do espaço que colocavam em conflito as concepções das comunidades indígenas locais frente aos interesses dos grandes proprietários de terra. Nesse artigo, observamos em que medida a escola buscou “revitalizar” esses saberes indígenas e, ainda, uma memória biocultural relacionada com o ambiente do altiplano utilizando o argumento da produtividade como forma de legitimar esse projeto perante a sociedade boliviana.

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Biografia do Autor

Bruno Azambuja Araujo, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, SC, Brasil; doutorando em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Bolsista CNPq.

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Publicado
2020-11-05
Como Citar
Araujo, B. A. (2020). Campos de experimentação agrícola na Escuela-Ayllu de Warisata: Reflexões sobre produtividade, trabalho e saber indígena no altiplano boliviano (1931-1940). Oficina Do Historiador, 13(2), e37907. https://doi.org/10.15448/2178-3748.2020.2.37907
Seção
Dossiê