Personagens subalternas em Milton Hatoum

Medindo silêncios em três romances

Palavras-chave: Personagens subalternas, Milton Hatoum, Intelectual pós- -colonial

Resumo

Inserindo a abordagem de algumas personagens subalternas dos três primeiros romances de Milton Hatoum no quadro dos Estudos da Subalternidade, particularmente segundo aportes do ensaio Pode o subalterno falar?, da crítica e teórica indiana Gayatry Spivak, é possível rastrear elementos de continuidade na caracterização dessas personagens: Anastácia Socorro (Relato de um certo Oriente, 1989), Domingas (Dois irmãos, 2000) e Naiá (Cinzas do Norte, 2005) são empregadas agregadas e subalternas às famílias às quais servem. Podem ser destacados, porém, traços distintivos e diferenciados entre elas, que dão conta da heterogeneidade desse grupo (que não é típico ou “monolítico”, novamente em referência à análise de Spivak). De uma a outra, na busca de uma individuação dessas personagens na obra do autor, procedemos ao que o filósofo francês Pierre Macherey (citado por Spivak em seu ensaio) preconizou como método, mas que desenvolveremos como dinâmica de investigação: “medir silêncios”, observar o que essas mulheres calam ou dizem, tentando dar-lhes voz, ouvir suas reticências e valorizar sua presença no texto.

 

 

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Biografia do Autor

Luciana Persice Nogueira-Pretti, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Pós-doutora em Literatura de Língua Francesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; professora Adjunta do Setor de Francês da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ILE/UERJ), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Referências

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SPIVAK, Gayatry C. Pode o subalterno falar? Trad. Sandra Regina G. Almeida, Marcos P. Feitosa e André P. Feitosa. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2010.

Publicado
2021-11-09
Como Citar
Nogueira-Pretti, L. P. (2021). Personagens subalternas em Milton Hatoum: Medindo silêncios em três romances. Letrônica, 14(3), e38791. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2021.3.38791
Seção
Individuação, recuperação e consideração da perspectiva do sujeito subalterno