Violência, desilusão e sobrevivência em “Tio me dá só cem”, de João Melo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-4301.2022.1.38573

Palavras-chave:

Subalternidade, Desilusão, Violência

Resumo

O presente trabalho pretende avaliar as representações e a simbologia dos espaços, mostrando suas relações com processos de violência, desilusão e resistência no conto “Tio me dá só cem”, de João Melo. Para tal, evidenciaremos a apresentação da vida nas ruas e da condição de subalternidade do narrador, partindo da relação que estabelece com tal espaço. A partir da análise do espaço e de suas implicações na construção dos personagens teremos uma perspectiva da representação do caos na sociedade fictícia, muito tributária do real, tornando evidente a representação de uma sociedade que, em crise, vive os impactos da guerra, do neocolonialismo e do capitalismo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renata Cristine Gomes de Souza, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói, RJ, Brasil.

Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; mestre em Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, RJ, Brasil; graduada em Letras Português/Literatura pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica, RJ, Brasil e Universidade de Coimbra, em Portugal. 

Referências

APPIAH, Kwame Anthony. Na casa de meu pai: A África na filosofia da cultura. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.

ARAÚJO, Maria Paula Nascimento; SANTOS, Myrian Sepúlveda. História, memória e esquecimento: Implicações políticas. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, v. 77, p. 95-111, 2007.

ARENDT, Hanna. Origens do Totalitarismo. Tradução de Roberto. Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Campinas: Unicamp, 2011.

BANDEIRA, Manuel. O bicho. In: BANDEIRA, Manuel Estrela da vida inteira: poesias reunidas. 2. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora/ INL, 1970. p. 196.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Tradução de Myriam Ávila et al. Belo Horizonte: UFMG, 2014.

BITTENCOURT, Marcelo. A história contemporânea de Angola: seus achados e suas armadilhas. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE A HISTÓRIA DE ANGOLA. CONSTRUINDO O PASSADO ANGOLANO: AS FONTES E A SUA INTERPRETAÇÃO, 2., 1997, Luanda. Actas [...]. Luanda: Comissã o nacional para as comemoraçõções dos descobrimentos portugueses, 2000. p. 161-181.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva.10. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2011.

HALL, Stuart; ITUASSU, Arthur (org.). Cultura e representação. Tradução de Daniel Miranda e William Oliveira. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; Apicuri, 2016.

HALL, Stuart. Quem precisa da identidade? In: SILVA, Tomaz Tadeu da (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2009. p. 103-133.

HAYDÚ, Marcelo. Refugiados angolanos em São Paulo: entre a integração e a segregação. Revista Ponto e Vírgula, São Paulo, n. 5, p. 117-184, 2009.

KI-ZERBO, Joseph. Para quando a África? Entrevista com René Holenstein. Tradução de Carlos Aboim de Brito. Rio de Janeiro: Pallas, 2009.

MELO, João. Filhos da Pátria. Luanda: Editorial Nizila, 2001.

RIBEIRO. Roberto Carlos. Resenha: Filhos da pátria. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 43, n. 4, p. 99-112, out./dez. 2008.

SAID, Edward W. Cultura e Imperialismo. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

SAID, EDWARD W. Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula. Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009a.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do Pensamento Abissal: Das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: MENESES, Maria Paula; SANTOS, Boaventura Souza. Epistemologias do Sul. Coimbra: CES, 2009b. p. 135-177.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Modernidade Identidade e a Cultura de Fronteira. Tempo Social, São Paulo, v. 1-2, n. 5, p. 31-52,1994.

SANTOS, Boaventura de Sousa. O fim do império cognitivo: a afirmação das epistemologias do Sul. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019.

SARLO, Beatriz. Tempo passado – Cultura da memória e guinada subjetiva. Tradução de Rosa Freire d’Águiar. Belo Horizonte: Companhia das Letras: Editora da UFMG, 2007.

SCHMIDT, Simone Pereira. Onde está o sujeito pós-colonial? (Algumas reflexões sobre o espaço e a condição pós-colonial na literatura angolana). Abril, Niterói, v. 2, n. 2, p. 136-147, 2009.

SILVA, Márcio Seligmann. Literatura e Trauma. Pro-Posições, Campinas, v. 3, p. 135-153, 2002.

SILVA, Márcio Seligmann. Narrar o Trauma – A questão dos testemunhos de catástrofes históricas. Psicologia Clínica, Rio de Janeiro, v. 20, p. 65-82, 2008.

SPIVAK, Gayatri Chakravorty. Pode o subalterno falar? 1. ed. reimpressão. Tradução de Sandra Regina Goulart Almeida, Marcos Pereira Feitosa e André Pereira. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2014.

TODOROV, Tzvetan. Memória do mal, tentação do bem: indagações sobre o século XX. Tradução de Joana Angélica D’Ávila. São Paulo: Arx, 2002.

Downloads

Publicado

2022-10-20

Como Citar

Souza, R. C. G. de. (2022). Violência, desilusão e sobrevivência em “Tio me dá só cem”, de João Melo. Letrônica, 15(1), e38573. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2022.1.38573