Desaprendendo a escrever o humano e o poético

Uma leitura de Seiva, veneno ou fruto, de Júlia De Carvalho Hansen

Palavras-chave: Seiva, veneno ou fruto, palavra quimérica, perspectivismo, poesia contemporânea brasileira.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo apresentar uma leitura do livro de poemas Seiva, veneno ou fruto, da poeta paulistana Júlia de Carvalho Hansen ([2016] 2018), tendo como ponto de partida a maneira como espécies animais, vegetais e minerais aparecem nos versos. Para tanto, em um primeiro momento, trouxe ao debate as contribuições de Derrida (2002), acerca da relação com os animais na filosofia ocidental e na poesia. Encontrados pontos de contato entre os discursos – o poético e o filosófico –, emergiram igualmente diferenças, pelo fato de o autor dedicar suas elaborações apenas aos animais, e não a todos os seres. Seguindo o rastro deixado por tal distinção, o artigo volta-se para o perspectivismo ameríndio amazônico (VIVEIROS DE CASTRO, 2013a; 2013b), como forma de pensar estes signos, nos poemas, por uma outra cosmovisão, na qual os seres não humanos são entendidos enquanto sujeitos e, portanto, detentores de consciência e intencionalidade. Por fim, com o entrecruzamento de leituras, para além da reflexão sobre os seres não humanos no poema e da obra, o texto acaba por se defrontar com a própria palavra poética – este ser a deixar rastros.

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Biografia do Autor

Fernanda Vivacqua de Souza Galvão Boarin, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS, Brasil.

Mestra em Letras – Estudos literários, pelo Programa de pós-graduação em Letras – Estudos literários, da
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Juiz de Fora, MG, Brasil. Doutoranda em Letras, pelo Programa
de pós-graduação em Letras, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – área de concentração
em estudos literários, linha de pesquisa em teoria, crítica e comparatismo, em Porto Alegre, RS, Brasil.

Referências

CALLICOT, Christina. Comunicação entre espécies na Amazónia Ocidental: a música como forma de conversação entre plantas e pessoas. caderno de leituras. n.71. São Paulo: Chão da Feira, jul. 2017.

DERRIDA, Jacques. Che Cos' È la Poesia? Coimbra: Angelus Novus editora, 2012.

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HANSEN, Júlia de Carvalho. [2016] Seiva, veneno ou fruto. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2018. 1a reimpressão.

LABATE, Beatriz Caiuby. A reinvenção do uso da ayahuasca nos centros urbanos. Campinas: Mercado das Letras; São Paulo: FAPESP, 2004.

LABATE, Beatriz Caiuby; PACHECO, Gustavo. Música brasileira de ayahuasca. Campinas: Mercado das Letras, 2009.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. O mármore e a murta: sobre a inconstância da alma selvagem. In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem – e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2013a.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena. In: VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem – e outros ensaios de antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2013b.

Publicado
2021-05-05
Como Citar
Boarin, F. V. de S. G. (2021). Desaprendendo a escrever o humano e o poético: Uma leitura de Seiva, veneno ou fruto, de Júlia De Carvalho Hansen. Letrônica, 14(1), e37881. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2021.1.37881