“Não vim no mundo para ser pedra”

O herói inútil em macunaíma

Palavras-chave: Literatura Brasileira, Modernismo, Macunaíma, herói nacional, anti-herói.

Resumo

O presente artigo sugere uma investigação acerca do caráter “inútil” de Macunaíma, personagem central da rapsódia Macunaíma: o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, publicado em 1928 e considerado a prosa basilar do primeiro modernismo (CAMPOS, 1978). A pesquisa toma como ponto de partida a formação e transformação da consciência do herói em três momentos decisivos da narrativa: a circunstância de iniciação de Macunaíma em seu mundo de origem, a circunstância da punição radical representada pela viagem à cidade de São Paulo, e a circunstância do retorno do herói ao seu mundo de origem, o “fundo do Mato-Virgem”. O objetivo, portanto, é o investigar este herói que, ao se transformar, também transforma seu modo de existir fundando-se como um “herói inútil”. Ao assumir tal “inutilidade” indispensável, Macunaíma é capaz de instaurar a dialética da consciência mítica face à consciência reificada.

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Biografia do Autor

Keissy Guariento Carvelli, Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho” (UNESP), Assis, SP.

Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, PR; doutoranda em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita Filho” (Unesp), em Assis, SP, Brasil.

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Publicado
2020-05-04
Como Citar
Carvelli, K. G. (2020). “Não vim no mundo para ser pedra”: O herói inútil em macunaíma. Letrônica, 13(3), e36846. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.3.36846