A Petrópolis imperial sob o sombreiro da espanhola Carmen Oliver

Palavras-chave: Tradução etnográfica, Literatura de viagem, Culturemas, Carmen Oliver de Gelabert

Resumo

O presente artigo visa analisar o relato escrito por Carmen Oliver de Gelabert, intitulado Viaje poético a Petrópolis, para tanto, basear-nos-emos no paradigma da descrição na tradução etnográfica, isto é, a realidade social apreendida a partir do “ver”, transformada em linguagem; do esforço de transformar o olhar do viajante em escrita, segundo nos explica Laplantine (1996) e de sua relação com a tradução interlingual (FERREIRA, 2017; JAKOBSON, 2011), pois a realidade que está acontecendo em uma língua estrangeira está sendo transmitida ao leitor na linguagem da narrativa de viagem, no entanto, há sempre a presença de termos exóticos que podem aparecer no relato de maneira discreta ou destacada. Somado ao exposto, acrescentaremos as categorias de classificação e de tradução de culturemas elaboradas por Molina (2006; 2011), que nos levaram a perceber a domesticação do relato de viagem escrito por Carmen Oliver.

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Biografia do Autor

Katia Aily F. de Camargo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, RN

Doutora em Língua e Literatura Francesas pela Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo; professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Nata, RN, Brasil.

Lucía Molina, Universitat Autónoma de Barcelona (UAB), Barcelona

Doutora em Teoria da Tradução pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), em Barcelona; professora da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), em Barcelona, Espanha.

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Publicado
2020-03-24
Como Citar
Aily F. de Camargo, K., & Molina, L. (2020). A Petrópolis imperial sob o sombreiro da espanhola Carmen Oliver. Letrônica, 13(3), e36823. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.3.36823