Uma filosofia para o Brasil

A identidade nacional brasileira em A estética da vida

Palavras-chave: identidade nacional, Graça Aranha, Estética da vida

Resumo

Este artigo têm o objetivo de analisar de que maneira o escritor José Pereira da Graça Aranha representou a identidade nacional brasileira no conjunto de ensaios A estética da vida, publicado em 1921. José Pereira da Graça Aranha (1868- 1931), natural de São Luís do Maranhão, escritor e diplomata brasileiro, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife. Graça Aranha preocupou-se em definir o que significava ser brasileiro. Na tentativa de sanar essa questão, elaborou procurou explicar o que constituía o ser brasileiro e os motivos de se ter tais características. Divulgou seus projetos através de publicações, que compreendiam textos como ensaios, romances, entre outros. A obra Estética da vida é formada por um conjunto de ensaios, dentre os quais Aranha expõe suas concepções filosóficas de mundo, apresentando a visão de que cada povo tem uma característica própria que formaria a alma da raça. Para Aranha, cada nação integraria o todo universal através de sua singularidade. Nessa obra o autor explica como seria formado esse todo e de que maneira o Brasil poderia encontrar sua característica para integrá-lo, trazendo também sua explicação de pátria e nação. Para o estudo, vamos perceber como Aranha utilizou os ideais do determinismo racial e demográfico, o conceito de nação que apresentou, além do contexto da escrita e as principais ideias que influenciaram a produção dos ensaios.

 

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Biografia do Autor

Débora Priscila Graeff, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), São Leopoldo, RS

Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre, RS; doutoranda em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) – com bolsa de incentivo concedida pela CAPES – em São Leopoldo, RS, Brasil.

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Publicado
2020-05-22
Como Citar
Graeff, D. P. (2020). Uma filosofia para o Brasil: A identidade nacional brasileira em A estética da vida. Letrônica, 13(3), e36509. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.3.36509