Aquilo que não pode deixar de ser dito: o efeito de pré-construído do discurso machista

Palavras-chave: Análise do Discurso, Pré-construído, Gênero

Resumo

Este trabalho propõe-se a um gesto de interpretação assentado nos princípios teóricos da Análise de Discurso de tradição francesa. Com interesse particular na noção de pré-construído, elaborada por Paul Henry e desenvolvida por Michel Pêcheux, objetiva-se pesquisar como ele é reproduzido como um saber que todo mundo sabe, à revelia da formação discursiva com a qual o sujeito se identifica. Assim, o pré-construído é entendido como um saber universal; mesmo que o sujeito não se identifique com esse saber, ele pode invadir seu discurso. Atraídas pelas relações de gênero estabelecidas em nossa formação social, buscamos identificar irrupções do discurso hegemônico patriarcal sob a forma de pré-construídos em discursos tidos como subversivos. O corpus selecionado para análise é constituído por materialidades verbais e não verbais e foi coletado no site de rede social Facebook. Para a análise dos aspectos imagéticos, tem-se por base os estudos de Quevedo (2012), que vê na imagem efeitos similares aos do texto escrito.

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Biografia do Autor

Bruna Vitória Tejada, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas, RS

Graduada em Letras pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel, Pelotas, RS, Brasil), mestranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel, Pelotas, RS, Brasil), bolsista CAPES.

Luciana Iost Vinhas, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pelotas, RS

Doutora em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil), professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel, Pelotas, RS, Brasil).

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Publicado
2020-02-17
Como Citar
Tejada, B. V., & Vinhas, L. I. (2020). Aquilo que não pode deixar de ser dito: o efeito de pré-construído do discurso machista. Letrônica, 13(2), e36120. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.2.36120