Encenação e ubiquidade no Twitter: a intolerância dos discursos sobre Marielle Franco

Palavras-chave: Encenação, Comunicação ubíqua, Contrato de comunicação, Polarização, Twitter

Resumo

Este artigo trata da encenação do ato de linguagem em interações verbais na rede social Twitter. O objetivo geral é analisar o funcionamento do ato de linguagem na era da hipermobilidade sobre um clima político bipartidário e polarizado em que os parceiros de linguagem abdicam do contrato de comunicação a fim de fortalecerem sua posição original junto a seus pares do discurso político, rejeitando engajar uma negociação legítima de sentido com o lado oposto. O marco teórico se situa sobre a Teoria Semiolinguística, de Patrick Charaudeau (2010), e a comunicação ubíqua de Santaella (2013). A análise recai sobre uma troca linguageira ocorrida no Twitter acerca do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Concluímos que as partes opostas implementam a encenação do discurso a fim de conservar suas posições iniciais, o que as impede de considerar pontos de vista dissidentes.

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Biografia do Autor

Luis Henrique Boaventura, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS

Doutor em Letras pela Universidade de Passo Fundo (UPF, Passo Fundo, RS, Brasil), bolsista PNPD/CAPES (UPF).

Ernani Cesar de Freitas, Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS/Universidade Feevale, Novo Hamburgo, RS

Pós-doutorado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP/LAEL, São Paulo, SP, Brasil), professor da Universidade de Passo Fundo (UPF) em Passo Fundo, RS, Brasil, e professor da Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, RS, Brasil.

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Publicado
2020-03-15
Como Citar
Boaventura, L. H., & de Freitas, E. C. (2020). Encenação e ubiquidade no Twitter: a intolerância dos discursos sobre Marielle Franco. Letrônica, 13(2), e35963. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.2.35963