Mulheres e literatura: vozes de reconhecimento, transgressão e identidade

Palavras-chave: Literatura afro. Mulheres. Poesia. Identidade.

Resumo

O interesse deste artigo é tratar de vozes de escritoras negras que representam sua condição tanto no plano individual quanto coletivo. Para tanto, a proposta é estudar a poesia da brasileira contemporânea Cristiane Sobral e o poema “Me gritaron Negra”, da peruana Victoria Santa Cruz (1923-2014), a fim de compará-las quanto ao modo de reconhecerem-se negras e às suas afirmações identitárias no campo literário, por meio da representação de múltiplas vozes e as raízes ancestrais. Para a discussão teórica e crítica, centraremos em Deleuze (1977), Bernd (1988), Spivak (1988); e Hall (2005). É importante ressaltar como a identidade é construída a partir do olhar do Outro em debate com o próprio sistema de pensamento, por conseguinte constataremos como as conexões que se estabelecem entre as múltiplas vozes presentes nos poemas reafirmam suas raízes ancestrais e de “identificação” vistas como “um processo em andamento” (HALL, 2006), e não como uma obra acabada e fixa.

 

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Biografia do Autor

Daniela Rebeca Campos Atienzo, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR

Mestre em Literatura Iberoamericana pela Universidad de Los Andes (ULA, Mérida, Venezuela), doutoranda em Letras a Universidade Estadual de Londrina (UEL) em Londrina, PR, Brasil.

Maria Carolina de Godoy, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR

Doutora em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP, São Paulo, SP, Brasil), pós-doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil), professora adjunta da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina, PR, Brasil.

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Publicado
2020-04-08
Como Citar
Atienzo, D. R. C., & de Godoy, M. C. (2020). Mulheres e literatura: vozes de reconhecimento, transgressão e identidade. Letrônica, 13(1), e34935. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2020.1.34935