O poder das palavras: relações de alteridade no seio do povo brasileiro, entre branquitude e negritude

Palavras-chave: Negritude, Alteridade, Relações de poder, Discriminação, Palavra.

Resumo

O presente artigo trata da maneira como, na sociedade brasileira, as relações de alteridades se traduzem no discurso cotidiano atual, no que diz respeito às relações raciais. Tais discursos revelam, além da existência de uma base teórica racista profundamente enraizada, uma falta de consciência da realidade concreta da discriminação racial no Brasil e a persistência da ideia segundo a qual a sociedade brasileira não é racista. A análise qualitativa desenvolvida parte da visão de brasileiros afrodescendentes, estudada através de um questionário googledoc, tratado pelo Programa Iramuteq, e fundamentada nas teorias do círculo de Bakhtin em diálogo com Bourdieu. O estudo aponta de que modo a linguagem influencia as relações pessoais, especialmente como a palavra e suas valorações potencializam as tensões vividas entre grupos cada vez mais antagônicos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AMOSSY, Ruth. Apologia da polêmica. São Paulo: Contexto, 2017.

AMOSSY, Ruth; PIERROT, Anne H. Stéréotypes et clichés. Paris: Armand Colin, 2015.

BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. Organização, tradução, posfácio e notas de Paulo Bezerra. Notas da edição russa de Serguei Botcharov. Rio de Janeiro: Editora 34, 2016.

BAKHTIN, Mikhail. Palavra própria e palavra outra na sintaxe da enunciação. São Carlos: Pedro & João Editores, 2011.

BAKHTIN, Mikhail. O autor e a personagem na atividade estética. In: Estética da criação verbal. Tradução de Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BAKHTIN, Mikhail. [VOLOCHINOV] (Círculo de Bakhtin). (1929). Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem Trad. Michel Lahud e Yara Vieira. São Paulo: Editora Hucitec, 2017.

http://hugoribeiro.com.br/biblioteca-digital/Bakhtin-Marxismo_filosofia_linguagem.pdf (2016, 12. ed.).

BORGES, Pedro; NETO, Solon. Como a linguagem reforça o racismo no Brasil? Agência temática Alma Preta, 2017. Disponível em: https://almapreta.com/editorias/realidade/como-a-linguagem-reforca-o-racismo-no-brasil. Acesso em 20 fev. 2018.

BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp, 2008.

BOURDIEU, Pierre. Langage et pouvoir symbolique. Paris: Seuil, 2002.

BOURDIEU, Pierre. Ce que parler veut dire. Paris: Fayard, 1982. https://edc.revues.org/3326

CHARAUDEAU, Patrick. Conversas com o Professor Patrick Charaudeau. 22 março de 2017.

CHARAUDEAU, Patrick. A conquista da opinião pública: como o discurso manipula as escolhas políticas. Trad. Angela M. S. Corrêa. São Paulo: Contexto, 2016.

DAMATTA Roberto. Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

DAMATTA Roberto. Relativizando. Uma teoria da antropologia social. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da USP, 2007.

FIORIN José Luiz. Argumentação. São Paulo: Contexto, 2017.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Paz e terra, Record, 2014.

FOUCAULT, Michel. Genealogia del racismo. Madrid: Ediciones de la Piqueta, 1992.

GIRARDI JR., Liráucio. Pierre Bourdieu: mercados linguísticos e poder simbólico. Revista Famecos, PUCRS, v. 24, n. 3, 2017.

GOFFMANN, Erwing. (1963). Estigma – Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: LTC, 1981.

GUERREIRO Ramos, Alberto. Introdução crítica à sociologia brasileira. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995.

HALL, Stuart. Race, articulation and societies structured in dominance. Paris: UNESCO, 2013.

HALL, Stuart. Stereotyping as a Signifying Practice from Representation: Cultural Representations and Signifying Practices. London, Thousand Oaks: Sage Publications, Inc., 1997.

LANDES, Ruth. The City of Women. Albuquerque: University of New Mexico Press, 1994.

LÉVI-STRAUSS, Claude. Raça e História. In: Antropologia Estrutural II. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1976. Cap. XVIII, p. 328-366.

LOPES, Fernando. Experiências desiguais ao nascer, viver, adoecer e morrer: tópicos em saúde da população negra no Brasil. Brasília: FUNASA, 2005.

MAINGUENEAU, Dominique. Discurso e análise do discurso. Trad. Sírio Possenti. São Paulo: Parábola Editorial, 2015.

MOURA, Clóvis. Os dilemas da negritude. In: Brasil: as raízes do protesto negro. São Paulo: Global Ed., 1983.

MUNANGA, Kabengele. Algumas considerações sobre raça, ação afirmativa e identidade negra no Brasil. Revista USP, São Paulo, 2005-2006.

MUNANGA, Kabengele. Negritude afro-brasileira: perspectivas e dificuldades. Revista de Antropologia, USP, p. 109-117, 1990.

ORLANDI, Eni. Silêncios: presença e ausência. Com Ciência – Revista de Jornalismo Científico, 2008.

ORLANDI, Eni. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Petrópolis: Vozes, 1996.

PALMARES, Fundação Cultural. Quilombos ainda existem no Brasil. Disponível em:

http://www.palmares.gov.br/archives/3041. Acesso em: 21 fev. 2018.

PEREIRA, Cícero; TORRES, Ana Raquel Rosas; ALMEIDA, Saulo Teles. Um estudo do preconceito na perspectiva das representações sociais: análise da influência de um discurso justificador da discriminação no preconceito racial. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 16, n. 1, p. 95-107, 2003.

PIRES, Vera. Dialogismo e alteridade ou a teoria da enunciação em Bakhtin. Organon, UFRGS, v. 16, n. 32-33, 2002.

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Ed. Letramento, Justificando, 2017.

RIBEIRO, Goulart Ana Paula; SACRAMENTO Igor (Org.). Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia. São Carlos: Pedro e João Editores, 2010.

SARTRE, Jean Paul. Critique de la raison dialectique. Paris: Gallimard, 1960.

SCHUCMANN, Lia. Sim, nós somos racistas. Estudo psicossocial da branquitude paulista. Psicologia & Sociedade, v. 26, n. 1, p. 83-94, 2014.

SCHUCMANN, Lia. Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: raça e poder na hierarquia da branquitude paulistana. Tese (Doutorado em Psicologia Social) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

SOUZA, Jessé. A ralé brasileira: quem é e como vive. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2016.

SOUZA, Neusa. Torna-se negro ou As vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social. Rio de Janeiro: Ed. Graal, 1983.

SOVIK, Liv. Aqui ninguém é branco. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009.

TAGUIEFF, Pierre-André. Dictionnaire historique et critique du racisme. Paris: PUF, 2013.

TELLES, Edward Eric. Racismo à brasileira: uma nova perspectiva sociológica. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003.

Publicado
2018-10-19
Como Citar
Feré, L. (2018). O poder das palavras: relações de alteridade no seio do povo brasileiro, entre branquitude e negritude. Letrônica, 11(3), s83-s99. https://doi.org/10.15448/1984-4301.2018.s.30903