Genealogia como crítica

Apontamentos a partir da microfísica do poder

Palavras-chave: Foucault, Crítica, Genealogia, Microfísica, Poder

Resumo

O presente artigo reflete sobre o tema da genealogia como crítica na filosofia de Michel Foucault. O argumento questiona a importância do procedimento crítico na fase genealógica. Para isso, a hipótese adota a microfísica do poder como objeto de análise para desenvolver os principais aspectos do pensamento crítico de Foucault. O texto apresenta as seguintes etapas: a) leituras oferecidas sobre a genealogia como crítica; b) a relação entre genealogia e crítica na pesquisa de Foucault; c) apontamentos sobre do que uma microfísica do poder é capaz; d) a importância das formas de problematização. O artigo observa a pouca atenção dada à crítica dentro do pensamento de Foucault, em relação aos comentários conhecidos. A conclusão defende que as tentativas de Foucault em fazer uma genealogia como crítica implicam na possibilidade de um pensamento crítico ser uma forma de pesquisa sobre o diagnóstico do presente. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Jefferson Martins Cassiano, Universidade de Brasília (UNB), Brasília, DF, Brasil.

Mestre em Filosofia pela Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil. Graduado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), em Campinas, SP, Brasil. Doutorando em Filosofia na Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil.

Referências

ALVAREZ, M. C. Punição, discurso e poder: textos reunidos. 2013. 250 f. Tese (Livre docência em Sociologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2013.

BERMAN, M. Tudo que é solido desmancha no ar: a aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.

CASSIANO, J. M. Travessias do niilismo: ensaio sobre a experiência-limite em Foucault. Revista Ipseitas, São Carlos, v. 6, n. 1, p. 183-206, jan./jun. 2020.

CASSIANO, J. M. Foucault e a era do direito: colonização das práticas judiciárias em face à sociedade da normalização. Dorsal revista de estudos foucaultianos, n. 7, p. 153-178, 2019.

DAVIDSON, A. I. Archaeology, genealogy and ethics. In: HOY, D. (ed.). Foucault: a critical reader. Oxford: Basil Blackwell, 1986.

DOSSE, F. Histoire du structuralismo: le champs du signe. Paris: Maspéro, 1992. t. I.

FOUCAULT, M. Le gouvernment de soi et des autres: cours au Collège de France 1982-83. Paris: Éditions du Seuil, 2008a.

FOUCAULT, M. Introduction à l’anthropologie de Kant. Thèse Complémentaire pour le doctorat en Lettres. Paris: Vrin, 2008b.

FOUCAULT, M. Naissance de la clinique. Paris: PUF, 2007.

FOUCAULT, M. Le pouvoir psychiatrique: cours au Collège de France 1973-74. Paris: Éditions de Seuil, 2003.

FOUCAULT, M. Il faut défendre la société: cours au Collège de France 1975-76. Paris: Éditions du Seuil, 1997.

FOUCAULT, M. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994. t. I.

FOUCAULT, M. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994. t. II.

FOUCAULT, M. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994. t. III.

FOUCAULT, M. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994. t. IV.

FOUCAULT, M. La volonté de savoir. Histoire de la sexualité. Paris: Gallimard, 1976, v. 1.

FOUCAULT, M. Surveiller et punir: naissance de la prison Paris: Gallimard, 1975.

FOUCAULT, M. L’ordre du discours: leçon inaugurale au Collège de France prononcée le 2 décembre 1970. Paris: Gallimard, 1971.

FOUCAULT, M. Archéologie du savoir. Paris: Gallimard, 1969.

FOUCAULT, M. Les mots et les choses. Paris: Gallimard, 1966.

GARLAND, D. Punishment and modern society: a study in social theory. Oxford: Clarendon Press, 1995.

GEUSS, R. Genealogy as critique. European Journal of Philosophy, v. 10, n. 2, p. 209-215, 2002.

HABER, S.; CUSSET, Y. (org.). Habermas et Foucault: parcours croisés, confrontations critiques. Paris: CNRS Édition, 2006.

HABERMAS, J. O discurso filosófico da modernidade. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

HABERMAS, J. Taking aim at the heart of the present: on Foucault’s lecture on Kant “what is Enlightenment?”. In: KELLY, M. (org.). Critique and power: recasting the Foucault/Habermas debate. Cambridge: MIT, 1995. p. 149-154.

HAN, B. Foucault’s critical thought: between the transcendental and the historical. Stanford: Stanford University Press, 2002.

HONNETH, A.; SAAR, M. (org.). Michel Foucault. Zwischenbilanz einer Rezeption. Francfort-sur-le-Main: Surkhamp, 2003.

KELLY, M. (org.). Critique and power: recasting the Foucault/Habermas debate. Cambridge: MIT Press, 1995.

KOOPMAN, C. Genealogy as critique: Foucault and the problems of modernity. Bloomington: Indiana University Press, 2013.

LACOMBE, D. Reforming Foucault: a critique of the social control thesis. The British Journal of Sociology, [S. l.], v. 47, n. 2, p. 333-352, jun. 1996.

MACHADO, R. Introdução: por uma genealogia do poder. In: FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1998.

MARX, K.; ENGELS, F. Communist manifesto. In: MARX, K.; ENGELS, F., Marx-Engels selected works. Moscou: Progress Publishers, 1980.

NIETZSCHE, F. Genealogia da moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

NIGAM, A. Marxism and power. Social scientist, [S. l.], v. 24, n. 4-6, p. 3-22, 1996.

O’NEILL, J. The disciplinary society: from Weber to Foucault. The British Journal of Sociology, [S. l.], v. 37, n. 1, p. 42-60, 1986.

OULC’HEN, H. (org.). Usages de Foucault. Paris: PUF, 2014.

PASCHOAL, E. Genealogia, crítica e valores: uma cor relação entre fins e meios. Sofia, [S. l.], v. 3, n. 2, p. 127-141, 2014.

RABINOW, P.; ROSE, N. (ed.). Introduction: Foucault today. In: THE ESSENTIAL Foucault: selection from essential works of Foucault, 1954-1984. New York: New Press, 2003.

REVEL, J. O pensamento vertical: uma ética da problematização. In: GROS, F. (org.). Foucault: a coragem da verdade. São Paulo: Parábola Editorial, 2004. p. 65-87.

SAAR, M. Genealogische Kritik. In: JAEGGI, R., WESCHE, T. (org.). Was ist Kritik? Francfort-sur-le-Main: Surkhamp, 2009. p. 247-265.

SAAR, M. Genealogie als Kritik: geschichte und theorie des subjekts nach Nietzsche und Foucault. Francfort-sur-le-Main: Campus Verlag, 2007.

SARDINHA, D. Le nominalisme de la relation comme principe antimétaphisique. In: LAVAL, C.; PALTRINIERI, L.; TAYLAN, F. (org.). Marx & Foucault: lectures, usages, confrontations. Paris: La Découverte, 2015. p. 244-257.

SAUVÊTRE, P. Michel Foucault: problématisation et transformation des institutions. Tracés revue des sciences humaines, [S. l.], n. 17, p. 165-177, 2009.

TAGA, S. Foucault et Guattari au croisement de la théorie du micro-pouvoir et la psychothérapie institutionnelle. In: OULC’HEN, Hervé (ed.). Usages de Foucault. Paris: Presses Universitaires de France, 2014. p. 99-107.

VÁZQUEZ-GARCÍA, F. Cómo hacer cosas con Foucault. ER revista de filosofia, Barcelona, v. 28, n. 2, p. 71-83, 2000.

VISKER, R. Michel Foucault: genealogy as critique. New York: Verso, 1995.

WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Editora da UnB, 2000.

Publicado
2022-08-05
Como Citar
Cassiano, J. M. (2022). Genealogia como crítica: Apontamentos a partir da microfísica do poder. Intuitio, 15(1), e41493. https://doi.org/10.15448/1983-4012.2022.1.41493
Seção
Artigos: Ética e Filosofia Política