Em busca da continuidade perdida: erotismo e morte em Georges Bataille

Palavras-chave: Bataille. Erotismo. Morte. Transgressão. Continuidade.

Resumo

O presente trabalho consiste em investigar a concepção e a relação entre os conceitos de erotismo e morte propostos pelo filósofo Georges Bataille (1897-1962), que afirma que o homem é um ser dilacerado entre continuidade e descontinuidade – somos seres que possuímos individualidade e que logo morreremos, porém nós possuímos uma nostalgia pela continuidade perdida com o advento da subjetividade, que somente foi possível com o mundo do trabalho. O animal-homem tornou-se homem por meio dos interditos: proibições de atos relacionados à morte e ao sexo. No entanto, foram os interditos que tornaram possível a transgressão, que faz o homem retornar ao seu estado original de animalidade. Não se pode apagar nenhum desses polos totalmente: ambos são necessários para o ser humano. Aparecem agora duas formas de retornar à continuidade perdida: erotismo ou morte, e ambos, em sua forma mais excessiva, confundem-se entre si, a visão aterrorizante é a mais atrativa e desejada. Pretendemos analisar primeiramente o erotismo em geral, de modo a vermos em que sentido ele é uma experiência interior. Segundo, analisaremos se podemos equipará-lo à morte e, mais precisamente, ao sacrifício, demonstrando como a violência está presente no ato de amor. Temos, como conclusão, que tanto a morte quanto o erotismo desafiam a individualidade, mas a morte o faz de modo permanente e o erotismo de modo temporário

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Biografia do Autor

Pedro Antônio Gregorio de Araujo, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, RS

Mestrando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS, Porto Alegre, RS, Brasil). Bolsista CNPq.

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Publicado
2020-06-10
Como Citar
Gregorio de Araujo, P. A. (2020). Em busca da continuidade perdida: erotismo e morte em Georges Bataille. Intuitio, 13(1), e34275. https://doi.org/10.15448/1983-4012.2020.1.34275
Seção
Artigos