Erguendo, removendo e ressignificando as estátuas

Olhares desde a experiência brasileira

Palavras-chave: Brasil, Patrimônio, Memória coletiva, Política cultural, Participação política

Resumo

O artigo explora a denominada “guerra das estátuas” e seus desdobramentos no Brasil, principalmente sob a perspectiva das correlações entre patrimônio, memória coletiva e política cultural. Trata-se de um ensaio de interpretação, de natureza interdisciplinar, e com forte influência teórico-metodológica na história conceitual. O artigo também dialoga com os estudos e pesquisas sobre a qualidade da democracia, especialmente na sua dimensão da Participação Política, inclusive no que diz respeito à Participação Política Não Convencional, quer dizer, protestos, manifestações, e/ou ação coletiva. Outrossim, são discutidas e deliberadas algumas alternativas e boas práticas na formulação e implementação de políticas públicas setoriais. O principal argumento do artigo sugere que, diante de estátuas polêmicas ou incongruentes com os valores das atuais gerações de cidadãos, as melhores alternativas seriam a ressignificação ou a remoção das mesmas. 

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Biografia do Autor

Aldira Guimarães Duarte, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.

Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil; professora da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil.

Carlos F. Domínguez Avila, Universidade de Brasília (UnB), Brasília, DF, Brasil.

Doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil; pesquisador colaborador sênior da Universidade de Brasília (UnB), em Brasília, DF, Brasil.

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Publicado
2022-06-28
Como Citar
Duarte, A. G., & Avila, C. F. D. (2022). Erguendo, removendo e ressignificando as estátuas: Olhares desde a experiência brasileira. Estudos Ibero-Americanos, 48(1), e40986. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2022.1.40986
Seção
Dossiê: Políticas culturais: projetos, atores e circuitos