José Mármol e o ambiente brasileiro do século XIX visto por um exilado

Palavras-chave: história ambiental, identidade, século XIX, literatura latino-americana

Resumo

O ambiente da América Latina é a oportunidade de negação das engenharias de um velho mundo, com uma arquitetura pensada na maneira como as novas luzes, de pensamento social e de constituição identitária podem ser atuantes no espaço de construção e de formação de uma nova nação. A concepção de ciudad signo representa a constância de uma nova ordem de entendimento de mundo, em que as cidades latino-americanas, a população e os intelectuais se fundaram e se desenvolveram ao mesmo tempo. Dessa forma, o presente artigo apresenta a relação entre a noção de história ambiental e projeto identitário, na América Latina, região geográfica que se estabeleceu por meio da ideológica busca pela sua própria característica de identificação. A estrutura do trabalho conta com uma breve introdução, para situar o recorte temático do estudo, e três pontos de abordagem: no primeiro, uma breve discussão sobre o termo “história ambiental”, baseado no pensamento crítico de Enrique Leff, e como esse termo se estrutura na construção da América Latina; no segundo, o caso de José Mármol, argentino exilado no Brasil que, pensador da época, escreve em periódico brasileiro e aborda temáticas sobre o entendimento do ambiente local e como este interfere na formação social dos nativos; no terceiro, a análise dos oito escritos do literato argentino, publicados no periódico Ostensor Brasileiro. Como conclusão, desenvolve-se uma breve reflexão do papel que a literatura latino-americana desempenha no processo de ambientalização dos espaços físicos, e como se torna instrumento efetivo de interpretação e de constituição da história ambiental, proposta por Leff.

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Biografia do Autor

Amanda da Silva Oliveira, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS
Doutora em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM); Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil.
Maria Eunice Moreira, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS
Doutora em Letras (Teoria da Literatura) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professora Titular da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Porto Alegre, Brasil.

Referências

LEFF, Enrique. Construindo a história ambiental da América Latina. Esboços: Histórias em Contextos Globais, Florianópolis, v. 12, n. 13, p. pp. 11-29, nov. 2007. ISSN 2175-7976. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/article/view/383>. Acesso em: 10 abr. 2019. doi: https://doi.org/10.5007/%x.

MÁRMOL, José. Juventude progressista do Rio de Janeiro. Ostensor Brasileiro. Jornal Pictórico e pictorial, Rio de Janeiro, 1845-1846. Fundação Biblioteca Nacional, 2010. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=700100x&PagFis=1. Acesso em 20 mai 2015.

MOREIRA, Maria Eunice. Literatos argentinos e brasileiros no império de Pedro II: algumas anotações. Rio Grande, Revista Historiae. v. 6, n. 1, 2015, p. 228-244.

RAMA, Ángel. La ciudad letrada. Montevidéu: Arca, 1998 [1984].

Publicado
2020-04-28
Como Citar
Oliveira, A. da S., & Moreira, M. E. (2020). José Mármol e o ambiente brasileiro do século XIX visto por um exilado. Estudos Ibero-Americanos, 46(1), e34030. https://doi.org/10.15448/1980-864X.2020.1.34030
Seção
Dossiê: Escrevendo a história ambiental da América Latina: processos de ocupação, exploração e apropriação da natureza