Juó Bananére, um escritor íntalo-brasiliano

Palavras-chave: Estilo macarrônico, Juó Bananére, Modernismo brasileiro, Literatura e história

Resumo

Este artigo tem como finalidade analisar a linguagem de Juó Bananére, pseudônimo de Alexandre Ribeiro Marcondes Machado (1892-1933), procurando compreender suas implicações literárias e históricas no contexto brasileiro do início do século XX. Baseando-se no linguajar do imigrante italiano, que misturava o português com o italiano, o autor criou a representação cômica desse imigrante, que enfrenta dificuldades para se inserir na sociedade brasileira. Destaca-se nessa figura o estilo macarrônico por meio do qual foram abordados diversos temas de ordem social, política, histórica e cultural, em especial a literária. Propõe-se aqui examinar especificamente a face de escritor dessa personagem, que se declarava poeta, barbeiro e jornalista, a fim de se observar de que maneira ela representa, mais do que a situação do imigrante italiano, a condição do Brasil como país colonizado que vive as contradições resultantes desse processo. A abordagem da figura de Juó Bananére dialoga com estudos específicos sobre o autor, enquanto as questões relacionadas à condição colonial brasileira inspiram-se em sugestões de Sérgio Buarque de Holanda.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Benedito Antunes, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Assis, SP, Brasil

Doutor em Letras pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Assis, SP, Brasil, professor da Universidade Estadual Paulista (UNESP), em Assis, SP, Brasil; e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Referências

A FESTA de Bilac. O Pirralho, São Paulo, ano 5, n. 204, p. 10, 16 out. 1915.

ANTUNES, Benedito. A língua macarrônica n’O Pirralho e a vanguarda modernista. In: WATAGHIN, Lucia (org.). Brasil/Itália: vanguardas. São Paulo: Ateliê, 2003. p. 239-51.

ANTUNES, Benedito. O imigrante italiano na literatura paulista. In: CAPRARA, Loredana de Stauber; ANTUNES, Letizia Zini (org.). O italiano falado e escrito. São Paulo: Humanitas; FFLCH/USP, 1998. p. 199-214.

BANANÉRE, Juó. As cartas d’abax’o o Piques. O Pirralho, São Paulo, ano 5, n. 202, p. 4, 18 set. 1915a.

BANANÉRE, Juó. A vesta du Bilacco. O Pirralho, São Paulo, ano 5, n. 204, 16 out. 1915b. As cartas d’abax’o o Piques. p. 4.

BANANÉRE, Juó. La divina increnca. São Paulo: Livraria do Globo, Irmãos Marrano Editores, 1924.

BANANÉRE, Juó. O nazionalizimo. O Pirralho, São Paulo, ano 5, n. 205, 30 out. 1915c. As cartas d’abax’o o Piques. p. 12.

BELLUZZO, Ana Maria. Voltolino e as raízes do Modernismo. São Paulo: Marco Zero, Programa Nacional do Centenário da República e Bicentenário da Inconfidência Mineira, MCT/CNPq, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 1992.

BILAC em São Paulo. O Pirralho, São Paulo, ano 5, n. 204, p. 8-10, 16 out. 1915.

BOSI, Alfredo. O Pré-Modernismo. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1969. (A literatura brasileira, 5).

CANDIDO, Antonio. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1973. p. 109-138.

CAPELA, Carlos Eduardo S. Juó Bananére: irrisor, irrisório. São Paulo: Nankin; Edusp, 2009.

CARMO, Maurício Martins do Carmo. Paulicéia scugliambada, Paulicéia desvairada: Juó Bananére e a imagem do italiano na literatura brasileira. Niterói: EDUFF, 1997.

DERTÔNIO, Hilário O bairro do Bom Retiro: apelidos e tipos. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1975.

ESTE número 17. Diário do Abax’o Piques, São Paulo, ano 1, n. 17, p. 1, 30 set. 1933.

FONSECA, Cristina. Juó Bananére: o abuso da blague. São Paulo: Editora 34, 2001.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

MACHADO, Antônio de Alcântara. Cavaquinho e saxofone. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940.

OLAVO Bilac: A sua visita à Academia. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 41, n. 13440, p. 5, 10 out. 1915.

O PIRRALHO. São Paulo. 12 ago. 1911-23 fev. 1918.

PAES, José Paulo. O art nouveau na literatura brasileira. In: PAES, José Paulo. Gregos e baianos: ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 64-80.

Publicado
2021-06-11
Como Citar
Antunes, B. (2021). Juó Bananére, um escritor íntalo-brasiliano. Letras De Hoje, 56(1), e37352. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2021.1.37352
Seção
Seção Livre