“Festa como perspectiva” entre os Calon em Mamanguape, Paraíba (Brasil)

Abundância e ostentação nas fronteiras dos ciganos

Palavras-chave: Festividades, Ciganos, Abundância, Calon

Resumo

Ao descrever as festas observadas, especificamente, 1 ) festas de calendário, por exemplo, festa do dia das crianças, de Natal e Ano Novo, e 2) ritos de passagem, por exemplo, casamento e aniversários de crianças; durante trabalho de campo entre os Calons (pessoas ciganas) em Mamanguape na costa norte da Paraíba, Brazil, durante os anos de 2013 e 2014, propomos que as celebrações são momentos privilegiados para a realização e atualização do constituir-se Calon através de relações dialógicas de oposição ao juron (não-ciganos). Essas são as festas que performam a abundância e a ostentação na prática e a escassez como um discurso, especialmente na presença de estrangeiros ou outros. Nesse sentido, a festa é considerada um produtor social, dialogando com a literatura que defende a “festa como perspectiva”, ou seja, não como um espelho, mas como uma função criativa da realidade (Perez 2012).

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Biografia do Autor

Edilma do Nascimento J. Monteiro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, RN, Brasil

Post-doc researcher in Anthropology at Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal, RN. PhD in Social Anthropology from the Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC. Master and graduate in Anthropology at the Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB.

Flávia Ferreira Pires, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB, Brasil.

Associate professor at the Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, PB. Currently as post-doc researcher at Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG.

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Publicado
2020-11-13
Como Citar
do Nascimento J. Monteiro, E. ., & Ferreira Pires, F. (2020). “Festa como perspectiva” entre os Calon em Mamanguape, Paraíba (Brasil): Abundância e ostentação nas fronteiras dos ciganos. Civitas - Revista De Ciências Sociais, 20(3), 488-498. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2020.2.31823