Memórias dilaceradas
o sujeito-operador e o impacto do trauma em Os cus de Judas, de António Lobo Antunes
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48458Palavras-chave:
sujeito-operador, Os cus de Judas, trauma colonial, memória, invisibilidade, marginalizaçãoResumo
Este artigo analisa a figura do “sujeito-operador” em Os cus de Judas, de António Lobo Antunes, explorando as complexas dinâmicas do trauma colonial e da marginalização dos ex-combatentes, representados pelo narrador-protagonista. O texto discute como essa personagem, inserida em um contexto de guerra, é silenciada e invisibilizada pela sociedade portuguesa, que nega suas experiências e memórias. A monumentalização do sofrimento humano é confrontada pela rejeição do reconhecimento, evidenciando as feridas deixadas pelo colonialismo. O sujeito-operador emerge como uma figura híbrida, simbolizando a luta entre técnica, poder e o impacto da guerra na identidade e nas relações sociais. Em uma abordagem interdisciplinar, baseada em uma análise crítica literária e na reflexão teórica, o estudo dialoga com teóricos relevantes, tais como Alain Wisner, Gayatri C. Spivak, George Canguilhem, Giorgio Agamben, Roberto Vecchi e Yves Schwartz, formando uma base para investigar as dinâmicas de memória, trauma e identidade, enfatizando o esquecimento e a marginalização dos ex-soldados na sociedade pós-colonial.
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