Ecos da modernidade

volatilidade amorosa em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/1984-7726.2026.1.48192

Palavras-chave:

Fragilidade das relações, Simbolizações do amor, Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Resumo

Na atualidade, tem-se observado, dentre as características dos relacionamentos, que quase sempre se apresentam de maneira volátil e efêmera: os casais se relacionam sem compromisso, afastando-se dos papéis tradicionais que visavam a um compromisso genuíno e duradouro. Por isso, o presente trabalho tem como objetivo identificar na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas traços da fragilidade das relações amorosas por meio dos relacionamentos do personagem Brás Cubas. Quanto à metodologia, optamos por uma pesquisa de natureza qualitativa e, em relação aos procedimentos técnicos, utilizamos o método bibliográfico. Para realizar este intento, buscamos apoio nos instrumentos basilares de Bauman (2001, 2004), Bosi (2006), Bourdieu (2007), Gomes e Barros (2019), Leal (2022), Ramos (2003) e Silva (2018), entre outros. Parte-se da hipótese de que, mesmo sendo um romance escrito no século XIX, possa refletir acerca de temáticas atemporais, como as relações interpessoais, questões humanas, que sempre merecem reflexões. A intenção é investigar vestígios na narrativa que demonstrem essa volatilidade das relações amorosas e correlacioná-los com as concepções do sociólogo Zygmunt Bauman, uma vez que o romance machadiano funciona como um prenúncio dos preceitos defendidos por Bauman. Dessa forma, trazer à tona discussões sobre a instabilidade nas relações amorosas e também possibilitar uma reflexão acerca da antecipação, na narrativa machadiana, da visão de Bauman sobre a fluidez das relações contribui significativamente para a comunidade científica que volve seu olhar para a literatura brasileira. As discussões aqui apresentadas estão organizadas em duas seções, além dos elementos pré-textuais e pós-textuais, a saber: “Fluidez das relações” expõe algumas discussões acerca da fluidez das relações; a segunda seção apresenta a análise de dados, intitulada: “O vazio do afeto: simbolizações do amor em Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

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Biografia do Autor

Maria Clara Firmino da Silva, Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), Alagoas, Brasil.

Graduanda em Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa e suas Literaturas pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal). Participou do Grupo de Estudos em Variação Linguística de Alagoas (Geval) e, atualmente, integra o Núcleo de Pesquisas em Estudos Literários, Artes e Ensino (Nelien). Foi bolsista do Programa de Iniciação Científica (Pibic) 2023/2024 e, atualmente, é bolsista do Pibic 2024/2025, fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal/Uneal – Brasil).

Helenice Fragoso dos Santos, Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), Alagoas, Brasil.

Doutora em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Mestre em Estudos Literários em 2011 e graduada em Letras em 2009, ambos pela mesma instituição. Atualmente, ocupa o cargo de professora adjunta no curso de Letras da Universidade Estadual de Alagoas e desenvolve pesquisas sobre cultura e literatura popular alagoana, com ênfase na tradição literária de cordel.

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Publicado

2026-03-09

Como Citar

Firmino da Silva, M. C., & Fragoso dos Santos, H. (2026). Ecos da modernidade: volatilidade amorosa em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Letras De Hoje, 61(1), e48192. https://doi.org/10.15448/1984-7726.2026.1.48192