Ética e caos
a subjetividade humana na trilogia de Maddaddão, de Margaret Atwood
DOI:
https://doi.org/10.15448/1984-7726.2025.1.48097Palavras-chave:
Ética, subjetividade, distopiaResumo
A distopia, em seu conceito enquanto sociedade, envolve um cenário pessimista que geralmente é resultante de uma utopia. Assim, o contexto distópico vivenciado na trilogia de MaddAddão (2013) apresenta uma intensificação da manipulação tecnológica e da expansão do sistema capitalista junto a um Estado enfraquecido pelo domínio de grandes corporações. Fatores advindos dessa guinada ao neoliberalismo englobam maior desigualdade social, destruição, escassez dos recursos naturais e violência. Com a expansão das inovações tecnológicas, fomenta-se a noção utópica transumana de melhoramento humano, distanciando os corpos de sua organicidade. Desse modo, em meio ao caos e à alienação dos sujeitos, observa-se que uma crise ética se instaura na trilogia, que condena as ações humanas e sua subjetividade como as responsáveis pela falência da sociedade, propondo a extinção da espécie como uma solução ao Antropoceno. Sendo assim, este trabalho busca uma reflexão sobre os desdobramentos da ética em meio ao caos social ligado à subjetividade humana, destacando como a trilogia de MaddAddão oferece uma crítica às consequências de uma sociedade que alia a tecnologia desenfreada com um capitalismo predatório. Ao explorar os dilemas éticos e morais que emergem nesse cenário, a obra provoca reflexão sobre o futuro caótico da humanidade e a destruição dos sistemas sociais e ambientais, questionando se o caminho traçado pelo desenvolvimento atual pode realmente ser sustentado na visão de progresso ou de colapso total. A trilogia, assim, não só narra uma história em meio ao Antropoceno, mas também funciona como um alerta para os perigos iminentes das escolhas subjetivas e antiéticas da humanidade.
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