Quem faz Iniciação Científica?

Um estudo sobre as desigualdades socioeconômicas no acesso à Iniciação Científica FFLCH-USP (2010-2022)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15448/2178-5694.2026.1.48117

Palavras-chave:

Iniciação Científica, Educação Superior, Brasil, desigualdades educacionais.

Resumo

Este artigo investiga as desigualdades socioeconômicas no acesso à Iniciação Científica (IC) na FFLCH-USP entre 2010 e 2022. Analisando dados administrativos e socioeconômicos de coortes de 2010-2020 via regressões logística e multinomial, os autores constataram que marcadores tradicionais como renda, escolaridade dos pais, gênero e raça tinham menor poder explicativo do que a necessidade de trabalhar. Contraintuitivamente, estudantes com menor renda familiar tinham maior probabilidade de fazer IC, especialmente se pudessem dedicar-se aos estudos. Estudantes mais velhos, do período noturno e os que trabalhavam em tempo integral apresentaram menor participação em IC. O estudo sugere que, embora as barreiras iniciais de acesso ao ensino superior persistam, a necessidade de trabalhar torna-se um fator dominante que modula o acesso a oportunidades acadêmicas internas, como a IC, para estudantes já selecionados.

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Biografia do Autor

Tales Mançano, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo (SP), Brasil.

Graduado em Ciências Sociais e mestrando em Ciência Política.

Victor Gabriel Alcantara, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo (SP), Brasil.

Licenciado em Ciências Sociais, mestre em Sociologia e doutorando em Sociologia. Especialista em Educação Profissional no SENAI-SP.

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Publicado

2026-01-13

Como Citar

Mançano, T., & Alcantara, V. G. (2026). Quem faz Iniciação Científica? : Um estudo sobre as desigualdades socioeconômicas no acesso à Iniciação Científica FFLCH-USP (2010-2022). Conversas & Controvérsias, 13(1), e48117. https://doi.org/10.15448/2178-5694.2026.1.48117

Edição

Seção

Dossiê: Desigualdade Educacional em Debate: Reflexões e Perspectivas