Permanência em disputa
desigualdades e convivialidade desigual no ensino superior da Baixada Fluminense, Rio de Janeiro
DOI:
https://doi.org/10.15448/2178-5694.2026.1.48116Palavras-chave:
Desigualdades, Convivialidade desigual, Permanência universitária, Estigma territorial, Táticas cotidianas.Resumo
Neste artigo, analiso como as desigualdades são de recursos, vitais e existenciais atravessam a permanência universitária de estudantes da Baixada Fluminense, mesmo após avanços no acesso proporcionados por políticas públicas de expansão do ensino superior. Com base em uma pesquisa qualitativa situada, centrada em entrevistas em profundidade, proponho o conceito de convivialidade desigual para examinar formas de convivência marcadas por códigos tácitos de pertencimento, estigmas territoriais e normas implícitas que regulam quem é legitimado no espaço universitário. Ao destacar táticas cotidianas de contenção, reorganização afetiva e territorial, e reinvenção pedagógica, argumento que a permanência deve ser compreendida como processo relacional, atravessado por disputas classificatórias e barreiras materiais e simbólicas persistentes.
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